CNM destaca integração entre áreas estratégicas para fortalecer a prevenção de desastres 📸© Joédson Alves/Agência Brasil

Diante da maior recorrência de eventos climáticos extremos e dos possíveis impactos associados ao El Niño, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) reforça a necessidade de os gestores municipais ampliarem a integração entre os órgãos de Proteção e Defesa Civil, Mobilidade Urbana e outras áreas estratégicas.

A entidade defende o fortalecimento das ações de prevenção, preparação e resposta diante de situações de emergência, além da ampliação do apoio técnico e financeiro aos Municípios para a implantação e manutenção de estruturas capazes de monitorar riscos e transformar informações meteorológicas e operacionais em ações coordenadas.

Segundo a CNM, a criação de centrais de monitoramento pode contribuir para uma resposta mais rápida diante de emergências climáticas. Nos locais onde essas estruturas já existem, a entidade também recomenda maior integração entre os diferentes setores da administração pública.

A avaliação faz parte de um diagnóstico elaborado pela CNM sobre a estrutura das Defesas Civis municipais. Para a entidade, a possibilidade de agravamento dos danos provocados por eventos extremos reforça a necessidade de apoio contínuo da União e dos Estados para que os Municípios possam fortalecer a gestão de riscos e desastres.

Pequenos Municípios são os mais afetados pela falta de estrutura

Dados da pesquisa TIC Governo Eletrônico mostram uma forte diferença na disponibilidade de centros de operações entre os Municípios brasileiros.

O levantamento aponta que 66% das estruturas analisadas monitoram situações relacionadas a emergências ou desastres. Entre os Municípios com até 10 mil habitantes, esse percentual cai para 61%.

O estudo também mostra que, de maneira geral, apenas 33% das prefeituras possuem centros de operações voltados ao monitoramento de situações como trânsito, segurança ou emergência.

A diferença é ainda maior quando se compara o porte dos Municípios. Entre as capitais, 88% declararam possuir esse tipo de estrutura, enquanto entre os Municípios do interior o índice é de 33%.

Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, a cobertura chega a 86%. Entre os Municípios com população superior a 500 mil habitantes, o percentual alcança 94%.

Na outra ponta, 78% dos Municípios com até 10 mil habitantes afirmaram não possuir centros de operações.

Segurança pública lidera monitoramento

Entre as prefeituras que possuem centros de operações, a segurança pública aparece como a área de monitoramento com maior presença.

Já o transporte público apresenta o menor índice entre os setores analisados, com 44% das centrais realizando esse tipo de acompanhamento.

A proteção de estruturas do patrimônio público aparece com um índice mais elevado: 78% das centrais incorporam essa atribuição.

Para a CNM, a integração dessas diferentes áreas pode melhorar o aproveitamento dos investimentos públicos e ampliar a capacidade dos Municípios de identificar riscos e agir de maneira coordenada.

CNM defende integração entre áreas

A entidade considera que a gestão de riscos não deve ficar restrita à Defesa Civil. A proposta é ampliar a articulação entre setores como mobilidade urbana, segurança pública e demais áreas estratégicas da administração municipal.

A integração permitiria que informações sobre trânsito, condições meteorológicas, segurança e possíveis situações de emergência fossem utilizadas de maneira conjunta, facilitando a tomada de decisões.

A CNM também ressalta que Municípios que ainda não possuem infraestrutura adequada precisam de apoio técnico e financeiro para ter acesso a ferramentas de monitoramento e gestão.

A preocupação ganha importância diante da maior recorrência de eventos climáticos extremos e da possibilidade de impactos relacionados ao El Niño. Para a entidade, o fortalecimento da estrutura municipal é fundamental para reduzir danos e prejuízos e melhorar a capacidade de resposta das cidades diante de situações de emergência.

Diagnóstico aponta necessidade de apoio federativo

O diagnóstico produzido pela CNM sobre a estrutura das Defesas Civis municipais reforça a necessidade de uma atuação conjunta entre os diferentes níveis de governo.

Segundo a entidade, enquanto os Municípios não receberem o apoio previsto na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, existe o risco de agravamento dos danos e prejuízos provocados por desastres.

Por isso, a CNM defende a continuidade do apoio técnico e financeiro da União e dos Estados para fortalecer a gestão municipal de riscos e desastres.

A entidade avalia que investimentos em monitoramento, integração de dados e preparação das equipes podem contribuir para uma atuação mais eficiente antes, durante e depois de eventos climáticos extremos.

As informações são da Agência CNM de Notícias

|📸© Pedro Piegas/PMPA