|🎬 Setor audiovisual brasileiro demonstra recuperação com recordes e crescimento, aponta Ancine

O setor audiovisual brasileiro confirmou sua trajetória de crescimento pelo quarto ano consecutivo, com impactos na economia e nos indicadores de políticas públicas, segundo dados consolidados no Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2024, divulgado pela Ancine. O documento, que unifica e consolida dados anuais sobre diferentes elementos da cadeia produtiva, foi publicado em conjunto com a modernização do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA). O anuário, elaborado pela Secretaria de Regulação (SRG) da Agência, consolida dados de 2024, mas incorpora também estudos sobre emprego e valor adicionado, com informações mais recentes de 2023 e 2022, respectivamente.
O OCA, repositório público de informações e análises do mercado cinematográfico e audiovisual brasileiro produzido pela Ancine, foi modernizado para reorganizar o acesso a informações estratégicas em quatro áreas integradas: Painéis Interativos, Dados Abertos, Publicações Técnicas e Anuário Consolidado. Em 2025, a plataforma expandiu suas ferramentas interativas com a criação de três novos painéis: “Registro de Títulos de Obras Não Publicitárias”, “Registro de Títulos de Obras Publicitárias” e “Indicadores do Mercado de TV Paga”. Os painéis estão organizados em três seções temáticas: Obras Audiovisuais, Agentes Econômicos e Mercado Audiovisual.
Dados econômicos
O audiovisual brasileiro gerou R$ 32,7 bilhões em valor adicionado à economia em 2022, o maior valor desde 2017. Dentre as atividades que mais contribuíram, o setor de Portais e Provedores de conteúdo teve um crescimento de 82% entre 2021 e 2022, tornando-se a atividade com maior participação em termos de valor adicionado, com 41%. A atividade de Exibição Cinematográfica teve um crescimento de 183% de 2021 para 2022, reflexo da retomada das atividades das salas de cinema.
Em 2023, o setor registrou 78.189 postos de trabalho formais. A remuneração média do setor audiovisual foi de R$ 5.912 , quase o dobro da média da economia brasileira (R$ 3.033). As atividades que melhor remuneraram em média foram a Distribuição Cinematográfica (R$ 10.131), as Programadoras de TV Paga (R$ 8.814) e a TV Aberta (R$ 7.501).
O número de registros de novos agentes econômicos na Ancine atingiu 2.454 em 2024, uma queda em relação a 2023 (3.347), mas ainda acima da média do período de 2015 a 2022 (1.763). O número de Certificados de Produto Brasileiro (CPB) emitidos renovou o maior valor da série histórica pelo segundo ano seguido, chegando a 3.834 em 2024. O número de Certificados de Registro de Títulos (CRT) emitidos para obras não publicitárias brasileiras aumentou para 3.679 em 2024 , com destaque para o crescimento de 54% nas emissões para o setor de exibição cinematográfica, o maior índice dos últimos dez anos, com 284 títulos.
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Cinema
Em 2024, o público total das salas de cinema foi de 125,3 milhões, um aumento de 9,8% em relação a 2023. A renda total aumentou 11,3%, totalizando R$ 2,5 bilhões, considerando a correção inflacionária. A Ancine destaca que o mercado brasileiro se sobressaiu ao apresentar o segundo melhor resultado em crescimento de público em comparação com uma amostra de 21 países, a maioria dos quais apresentou decréscimo em 2024. No entanto, o Brasil ainda se encontra em patamar equivalente a 70,5% do público de 2019.
O ano de 2024 registrou um novo recorde para o parque exibidor, com 3.510 salas em funcionamento. O número de complexos em atividade passou de 841 para 866. No primeiro semestre de 2025, o número de salas subiu para 3.537, e hoje são 3.551. Por outro lado, o número de habitantes por sala apresentou uma ligeira piora, passando de 58.558 em 2023 para 60.565 em 2024.
A participação dos filmes nacionais no total de público foi de 10,1% em 2024, contra 3,2% em 2023. O público para as produções brasileiras em números absolutos mais que triplicou, passando de 3,7 milhões em 2023 para 12,6 milhões em 2024. Cinco filmes brasileiros superaram a marca de 1 milhão de espectadores em 2024, o que não acontecia desde 2019. São eles: “Ainda Estou Aqui” (2,968 milhões de espectadores), “Os Farofeiros 2” (1,880 milhão), “Minha Irmã e Eu” (1,817 milhão), “Nosso Lar 2-os mensageiros” (1,615 milhão) e “O Auto da Compadecida 2” (1,353 milhão).
As distribuidoras estrangeiras foram responsáveis por 82,5% do público total e 83% da renda. A distribuidora Disney voltou a liderar o ranking de público total impulsionada pelo sucesso de “Divertida Mente 2”. A distribuidora brasileira Paris caiu da terceira para a quinta posição. Considerando apenas a distribuição de longas-metragens nacionais, a Sony ficou em primeiro lugar, seguida pelas brasileiras Paris e Downtown.
TV por assinatura
Em 2024, o número de acessos à TV Paga teve queda de 22,4%, totalizando 8,1 milhões. Apesar da redução, o número de canais ativos e credenciados na Ancine aumentou pelo segundo ano consecutivo, chegando a 290. A participação de obras brasileiras na programação total da TV Paga alcançou o maior índice da série histórica, com 19,8% , e a presença no horário nobre foi de 26%.
O número de obras seriadas exibidas na TV Paga aumentou de 1.746 em 2023 para 1.877 em 2024, enquanto as não seriadas passaram de 3.872 para 3.922. O ranking das programadoras com maior porcentagem de obras brasileiras foi liderado por Canal Brazil S/A (92,3%), Conceito A em Audiovisual (84%) e Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Rá Tim Bum! (81,5%) .
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Participação feminina
A participação feminina no setor audiovisual em 2023 foi de 42%, índice que superou a média da economia brasileira (40,9%). As mulheres são maioria na Exibição Cinematográfica (58%), na Distribuição (54%) e no Aluguel de DVDs (52%). A maior desigualdade foi na TV Aberta e nas Operadoras de TV Paga, ambas com 37% de participação feminina.
A desigualdade também se refletiu na remuneração média, com uma diferença de 11% entre os salários de homens e mulheres no setor audiovisual. As mulheres receberam um salário médio superior ao dos homens apenas na TV Aberta (1,5% a mais) e nas Programadoras de TV Paga (1,7% a mais).
Em 2024, 75% dos longas-metragens brasileiros foram dirigidos exclusivamente por homens, e 17% exclusivamente por mulheres. Em outras funções, os roteiros foram predominantemente de autoria masculina (165 filmes contra 41) , assim como a fotografia (207 homens contra 44 mulheres). Por outro lado, as mulheres foram maioria na Direção de arte (99 contra 57) e na Produção executiva (110 contra 66). Filmes dirigidos por mulheres representaram 15,2% do público total do cinema brasileiro em 2024.
Perspectivas
A trajetória de crescimento do parque exibidor do país continua em 2025, com 3.551 salas de cinema em funcionamento. O público do cinema brasileiro cresceu 21,1% no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Filmes como “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa”, “Vitória” e “Homem Com H” se destacaram entre os maiores sucessos de público no período.
A Ancine afirma que os dados apresentados estão à disposição da sociedade e contribuem para decisões estratégicas que impulsionam o futuro do audiovisual brasileiro.
Fernando Lauterjung, do Telaviva
|📸 © Houses Cheung via Pexels
Rádio Centro Cajazeiras
