|🗳️ Afinal, a terceira via existe? Cenário eleitoral reacende debate sobre alternativas aos favoritos

📸© Marcelo Camargo/Agência Brasil
As eleições presidenciais de 2026 caminham para uma disputa polarizada entre os pré-candidatos presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, e senador Flávio Bolsonaro (PL), que tenta seguir como herdeiro de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por participação na tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
Com algumas alterações entre estados, as pesquisas de intenção de voto mostram a disputa concentrada entre Lula e Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno. Outros candidatos como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), respectivamente ex-governadores de Minas Gerais e Goiás, e Renan Santos (Missão), não têm se mostrado competitivos.
Nesta semana, o Três Por Quatro, videocast de política do Brasil de Fato, debate o eterno retorno da chamada “terceira via” na política brasileira. O jornalista Igor Carvalho conversa com os comentaristas Valério Arcary, historiador, e Hélio Santos, ex-presidente do conselho da Oxfam, professor, ativista da luta racial e diretor do Centro de Estudos e Dados sobre as desigualdades Raciais no Brasil (Cedra), para analisar os limites, as contradições e as possibilidades da chamada terceira via no cenário político brasileiro de 2026.
Para Valério Arcary, não existe a menor possibilidade de uma terceira via no atual cenário brasileiro. “O principal protagonista desse projeto foi o Ciro Gomes. Ele testou uma, duas, três vezes. E a rigor, há 10 anos foi enterrada a possibilidade da construção de uma força política e social burguesa, liberal, que se apresentasse como uma alternativa diante da esquerda, representada essencialmente pela coalizão de forças em torno do Lula, ou da extrema direita, liderada por uma corrente neofascista representada pelo clã bolsonarista”, afirma.
“Para ir ao cerne da questão estratégica, desde a subversão golpista, mascarada de impeachment [da ex-presidenta Dilma Roussef, em 2016], acentuadamente depois de 2018, quando o bolsonarismo tinha se transformado numa corrente de influência de massas muito poderosa na sociedade brasileira, nós assistimos a um deslocamento na relação de forças, ou seja, um giro para a extrema direita da massa da burguesia, uma radicalização extremista de uma maioria das camadas médias proprietárias e um arrastão sobre setores da classe trabalhadora”, avalia o historiador.
Hélio Santos afirma que fica irritado com a tentativa de se emplacar uma terceira via no contexto da política brasileira. “Ela está associada ao glamour da terceira via que vem ali da Europa. Não há essa terceira via. A gente precisa saber o que é que está por trás da ideia de pensar numa terceira via nesse momento”, avalia.
“Quem não é da extrema direita, foi capturado pela extrema direita. Então, para mim, há uma dificuldade em ver hoje, nesse contexto, quem é a terceira via, do ponto de vista da origem dela”, diz.
As informações são de Igor Carvalho e Maria Teresa Cruz, do Brasil de Fato
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Rádio Centro Cajazeiras
