Diagnóstico precoce e tratamento adequado para tratar a tempo 📸 © Paul Diaconu/Pixabay

Uma doença sem sintomas nas fases iniciais, progressiva, que não tem cura e é a principal causa da cegueira irreversível. Assim é o glaucoma, uma condição que afeta aproximadamente 2% da população brasileira e que exige exames periódicos e diagnóstico precoce para ser controlada. Para enfrentar este quadro, profissionais dos hospitais vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) apostam em novidades, serviços, avanços tecnológicos e decisões baseadas em evidências científicas. O tema é lembrado de 8 a 14 de março, na Semana Mundial do Glaucoma. 

A doença afeta o nervo óptico, estrutura responsável por levar as imagens do olho até o cérebro. Na maioria das vezes, está associada ao aumento da pressão ocular, mas também pode ocorrer mesmo com pressão considerada normal. 

O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/Ebserh), por exemplo, recebeu um tonômetro portátil de última geração, usado para medir a pressão do olho. “Essa tecnologia permite levar o exame para ações externas e mutirões de saúde organizados pelo Hucam, ampliando o acesso da população ao diagnóstico”, disse o oftalmologista Thiago Cabral. O equipamento foi adquirido por meio de projeto com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). 

Cabral apontou também o uso de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na análise de imagens do nervo óptico. “Agora conseguimos associar essa tecnologia à medição portátil da pressão ocular, mesmo fora do ambiente hospitalar. Esses avanços representam mais acesso, diagnóstico precoce e maior chance de evitar a cegueira”, afirmou. 

O Hucam oferece consulta, exames para diagnóstico e acompanhamento, como verificação da pressão ocular e avaliação do nervo óptico, tratamento clínico com colírios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e tratamento cirúrgico quando necessário. Também atua na formação de médicos especialistas e orientação dos pacientes sobre a importância do uso correto dos medicamentos e do acompanhamento contínuo. 

Diagnóstico depende de uma série de avaliações 

O diagnóstico do glaucoma não depende de um único teste, mas sim de um conjunto de avaliações que funcionam como um quebra-cabeça para o médico. O processo começa com uma consulta oftalmológica completa, na qual é possível medir a acuidade visual, realizar a refração do paciente, procurar alterações estruturais no globo ocular, medir a pressão intraocular e avaliar o fundo do olho.   

“Esse conjunto de opções e serviços é importante para o combate ao glaucoma”, pontua o oftalmologista Bruno Esporcatte, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, do Complexo Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF/CH-UFRJ/Ebserh). Segundo ele, para entender como a visão está funcionando na prática, é feito o exame de campo visual, que pode detectar pequenas perdas visuais que o paciente ainda não percebeu. 

O CH-UFRJ conta com todos os equipamentos para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com glaucoma, além da realização das principais cirurgias antiglaucomatosas. “Hoje, temos também tecnologias de ponta, como a tomografia de coerência óptica (OCT), um scanner de alta resolução que mede a espessura das fibras nervosas e permite identificar o glaucoma antes de qualquer sintoma aparecer”, disse Esporcatte.  

Segundo o médico, na área da oftalmologia, constantes inovações e novos dispositivos são frequentemente citados como o futuro do tratamento do glaucoma, mas a introdução de novas tecnologias exige cautela. “No HUCFF, seguimos um protocolo rigoroso onde apenas procedimentos com comprovação científica robusta e consolidada são incorporados à prática clínica”, esclarece Esporcatte.  

O médico acrescenta que, antes da adoção de qualquer técnica ou dispositivo, o processo é exaustivamente discutido com o corpo técnico, garantindo que a inovação só seja aplicada quando houver total segurança quanto à sua eficácia e superioridade em relação aos tratamentos tradicionais. Também frisa que a prioridade é a segurança do paciente e a preservação da visão a longo prazo, fundamentadas sempre nas melhores evidências científicas disponíveis. 

Prevenção da perda visual progressiva 

A médica Sílvia Cândido Pereira Almeida, do Hospital Universitário Lauro Wanderley, da Universidade Federal da Paraíba (HULW-UFPB), disse que os avanços e serviços são essenciais, já que o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir a perda visual progressiva. Segundo ela, para esse diagnóstico é importante uma consulta completa com avaliação do fundo de olho para análise do disco óptico, biomicroscopia e pressão intraocular. 

A médica informou que o HULW possui o aparelho de lâmpada de fenda, que possibilita a biomicroscopia, a medida da pressão intraocular e a fundoscopia. “O hospital oferece ainda exames complementares como paquimetria, retinografia, campimetria computadorizada e gonioscopia, além do laser para trabeculoplastia não-seletiva, e para tratamento, e cirurgia de trabeculectomia”, disse. 

Tudo começa na consulta 

Hissa Tavares de Lima, médica e responsável técnica pelo Ambulatório de Oftalmologia e preceptora de glaucoma e catarata na Residência de Oftalmologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (HUWC-UFC), explicou que tudo começa na consulta ao oftalmologista. “Para o diagnóstico de glaucoma, é feita a verificação do fundo do olho que avalia o nervo óptico, e a avaliação dos exames complementares para fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento do paciente com a intenção de baixar a pressão intraocular e evitar a progressão da doença”, afirmou. 

Segundo ela, o hospital oferece tratamento clínico e cirúrgico. “Também prescrevemos colírios e, se o paciente não puder manter o tratamento clínico ou se a pressão não estiver controlada com o uso dos colírios, é feita a cirurgia”, explicou. Ela completou que hoje é feito o implante de uma válvula, que baixa a pressão intraocular e evita a perda visual. “Isso representa para o paciente acuidade visual e qualidade de vida”, concluiu. 

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