|💊 Uma a cada 20 mulheres deixa de usar métodos contraceptivos devido a efeitos colaterais

Um novo estudo da Organização Mundial da Saúde e do The Pleasure Project revela que aproximadamente uma em cada 20 pessoas que interrompem o uso de contraceptivos, mesmo precisando deles – seja para prevenir a gravidez ou para praticar sexo seguro – o faz por perceber impactos negativos em sua vida sexual. José Maria Soares, chefe da Divisão de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, explica que os efeitos colaterais variam a depender do método contraceptivo.
“As pílulas ou os tratamentos hormonais podem ter alguns efeitos colaterais e impactar a vida sexual, principalmente naquelas mulheres que já têm uma alteração da libido, pois eles levam à inibição da função ou da produção hormonal ovariana.
Os impactos nos níveis hormonais e sexuais não se limitam ao estrogênio ou à progesterona, mas também aos androgênios, com alguns podendo causar ressecamento vaginal em algumas mulheres. Alguns contraceptivos podem alterar o humor, a sensibilidade emocional, o que indiretamente pode influenciar o desejo sexual. O DIU hormonal, por exemplo, devido à sua ação local, pode diminuir o sangramento, desconforto, sangramento imprevisível ou anormal. São motivos para a paciente se preocupar, pois pode alterar a sua questão emocional e, com isso, ser mais um fator que pode atrapalhar, às vezes, o relacionamento.”
Métodos contraceptivos não são universais
Soares explica que não existem métodos contraceptivos que funcionem para todos, sendo necessário um acompanhamento médico para decidir qual é o mais adequado. “Em relação ao perfil hormonal, nós sabemos que algumas mulheres podem ter a síndrome dos ovários policísticos, em que a produção excessiva androgênica leva a uma alteração na aparência e na percepção da autoimagem da mulher, o que pode interferir na sua sexualidade. Não existe um método ideal para todos, é algo que deve ser muito bem conversado e discutido com o profissional de saúde para encontrar o melhor método, evitando um sangramento anormal e efeitos colaterais como acne, aumento de pelos e outros. Por isso, o acompanhamento e a reavaliação do método a cada três a seis meses de uso deve ser importante, principalmente, quando em casos de menstruação irregular.”
Impactos negativos
O professor reforça que os impactos negativos na vida sexual podem não ter relação com anticoncepcionais. “Há casos de doenças ou outras aflições que podem alterar a saúde sexual. Para isso, é necessária uma consulta com um ginecologista, que possa ver o que está acontecendo. Hoje sabemos que outros profissionais são importantes, como o psiquiatra e o psicólogo, principalmente para avaliar também a relação do casal e seu impacto sobre a libido da paciente. É fundamental entender quando surgiu, quais são os efeitos colaterais e qual é a preocupação da paciente, combinado com uma comunicação da paciente para que possa ser trocado o método contraceptivo.”
Por Jornal da USP
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