TV digital terá decreto assinado dia 19 com esforço para mostrar ATSC desvinculado dos EUA 📸 © Renate Koppel via Pixabay

A assinatura do decreto presidencial que definirá oficialmente o padrão da futura TV digital brasileira, a DTV+ (ou TV 3.0, como vinha sendo chamada) está agendada para a próxima terça, 19. A cerimônia será realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, com transmissão ao vivo prevista para as 11h, durante o SET Expo, evento da Sociedade de Engenharia de Televisão que ocorre em São Paulo. A oficialização da norma é um passo que faltava, embora o padrão tecnológico já tenha sido escolhido e existam emissoras de teste em funcionamento.

A expectativa inicial era que o decreto fosse assinado na última terça, 12, mas o ato não aconteceu. Conforme apurou este noticiário, o adiamento esteve relacionado à escolha do padrão ATSC 3.0 para a camada física, o que gerou discussões no setor sobre uma possível questão política devido à percepção de que se trata de um “padrão americano”, controlado pelos EUA. O Advanced Television Systems Committee (ATSC) se define como uma organização internacional sem fins lucrativos que desenvolve padrões voluntários para a radiodifusão multimídia, com membros de diversas indústrias globais. Em resposta, grupos de radiodifusores se movimentaram para apresentar ao governo argumentos que buscassem evitar uma percepção que alegam ser equivocada sobre a tecnologia, sobretudo em um contexto de tensionamento inédito nas relações entre Brasil e EUA e ataques do governo Trump sobre o Brasil.

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Um dos principais pontos esclarecidos é que a evolução do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBDTV) para a DTV+ não adota um padrão nem licenças de uma única nacionalidade. A tecnologia resulta de um conjunto internacional com mais de mil patentes para as diferentes camadas que compõem o sistema. A proposta do Fórum Brasileiro para a DTV+ congrega tecnologias de diferentes países, incluindo soluções do Brasil, de forma semelhante aos Estados Unidos, que também adotaram patentes de várias nações em seu sistema. Entre as inovações brasileiras para a nova tecnologia está a apresentação dos canais no formato de aplicativo, um modelo que que o setor acredita que poderá servir de referência para outros países.

Entre os pontos defendidos pelos radiodifusores estão:

  • O serviço da TV 3.0 continuará a ser uma radiodifusão livre, aberta e gratuita.
  • Para a recepção do sinal, que permitirá imagem em resolução 4K e som imersivo, não será necessária uma conexão com a Internet.
  • A conexão será requerida apenas para uma experiência logada do usuário.
  • Os televisores atuais não precisarão ser descartados, pois caixas conversoras poderão ser instalados para adaptar os aparelhos ao novo padrão.
  • Assim como na transição da TV analógica para a digital, a migração não será obrigatória, e os usuários da TV 2.0 poderão continuar utilizando seus aparelhos.
  • O governo pode, inclusive, viabilizar políticas públicas para a distribuição de conversores, como ocorreu no programa Seja Digital.

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Por meio de nota, o Ministério das Comunicações esclarece que o padrão é formato por tecnologias de diversas nacionalidades. Veja a nota na íntegra:

O Ministério das Comunicações informa que a escolha do padrão da TV 3.0 reflete a tradição de multilateralismo do Brasil, pois agrega tecnologias de diversas partes do planeta: EUA, Coréia do Sul, Alemanha, Canadá, China, França, Índia, Japão, Rússia e União Europeia. São mais de 1 mil patentes adotadas para as diferentes camadas tecnológicas, por isso não há um padrão de nacionalidade.

A proposta de padrão foi feita pelo Fórum Brasileiro para o DTV+ (TV 3.0), após debate com a academia, Poder Público e iniciativa privada. A TV 3.0 propõe inovações na experiência e nos modelos de negócio viabilizadas pelo DTV Play – que é uma tecnologia essencialmente brasileira.

Entre as inovações brasileiras para a nova tecnologia está a própria forma de apresentação dos canais no formato de aplicativo, modelo que provavelmente servirá de modelo ao resto do mundo.

As informações são de Fernando Lauterjung, do Telaviva

|📸 © Towfiqu Barbhuiya via Pexels