|🔵⚪️ Tarcísio teme ser chamado de traidor por bolsonaristas se sair candidato à Presidência

A pesquisa mais recente publicada pelo Instituto Quaest sobre as intenções de voto para a presidência da República mostra o presidente Lula na liderança incontestável. A indefinição no campo da direita faz com que vários cenários sejam testados. Em um deles, o candidato preferido da Faria Lima, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o indicado de Jair Bolsonaro, o filho Flávio (PL), são apresentados como alternativas. Lula aparece com 40%, Flávio soma 23%, e Tarcísio tem 14%. Fica evidente a força do sobrenome Bolsonaro no cenário político nacional – uma força subestimada pelo chamado ‘centrão’.
A avaliação é da cientista política Isabela Kalil, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), convidada da edição desta semana do podcast Três por Quatro, do Brasil de Fato. No programa, ela discutiu as perspectivas eleitorais com o apresentador Igor Carvalho e o historiador Valério Arcary, comentarista do programa.
“O centrão, de uma certa maneira, subestimou a força do bolsonarismo, achando que dava para controlar. A candidatura do Flávio mostra que eles não têm esse controle. Não dá para controlar a família Bolsonaro como parte da classe política achava que daria. O bolsonarismo ainda é forte”, afirmou Kalil.
A especialista lembrou ainda que o termo “centrão” representa, na prática, um agrupamento de forças políticas de direita. Há, ainda, setores de centro-direita – onde se encontra, por exemplo, o PSD de Gilberto Kassab, que tem orientação e posicionamentos eventualmente divergentes, mas, ao mesmo tempo, não pode se manifestar abertamente, sob risco de ficar sem qualquer chance de garantir os votos de eleitores bolsonaristas fiéis.
Entre essas figuras está Tarcísio de Freitas. Embora tenha declarado que vai concorrer à reeleição para o governo de São Paulo, o ex-ministro de Jair Bolsonaro ainda pode aparecer como candidato à presidência, na avaliação de Isabela Kalil, que afirma que, enquanto os nomes não estiverem registrados na Justiça Eleitoral, não é possível confirmar a desistência. Entretanto, ele corre riscos, caso vá para o embate com Flávio.
“O Tarcísio tem receio, e com toda razão, de sofrer o ‘efeito João Doria’, que é basicamente ser considerado um traidor do Bolsonaro e virar alvo de toda a milícia digital bolsonarista. Isso já aconteceu em parte nos últimos dias, quando Tarcísio passou a ser chamado de traidor”, citou.
Valério Arcary também não crava a definição da candidatura de Tarcísio à reeleição, embora aposte, neste momento, que esse é o cenário mais viável. O comentarista avalia que o governador depende do apoio da família Bolsonaro para seguir tendo relevância eleitoral.
“Eu não sei qual o futuro do Tarcísio, porque liderança política no Brasil sem partido não vai muito longe. No Brasil é necessário ter partido. Esse é o erro estratégico do bolsonarismo, e é por isso que nós vencemos [as eleições de 2022]. Tarcísio sem o bolsonarismo não deve ter muito futuro em São Paulo”, apostou.
Arcary vê a indefinição da direita e da extrema direita neste ano eleitoral como uma crise. Entretanto, para Jair Bolsonaro, a dúvida parece não existir mais.
“Bolsonaro fez uma escolha que tem importância estratégica, ou seja, ele decidiu que o controle que ele mantém sobre a direção da extrema direita não está em disputa: é o núcleo da família, mesmo com dissidências. É público e notório que Michelle está contrariada com a nomeação de Flávio Bolsonaro, mas prevalece a linha de utilizar a força de gravidade da autoridade de capitão do Jair Bolsonaro, o ‘mito’, preservá-la a qualquer preço”, pontuou.
Para Isabela Kalil, Bolsonaro alçou o filho Flávio à condição de candidato à presidência pro não ter opção. A especialista vê o ex-presidente, que está preso e inelegível, contrariado por entregar o futuro político a um dos filhos.
“Eu tenho a impressão de que o Jair Bolsonaro não confia em ninguém além dele mesmo. Eu acho que ele não confia na própria família, ele não confia plenamente nos próprios filhos. Basta ver que ele expressou desconforto em relação à potencial candidatura da sua esposa, dos seus filhos”, resumiu.
Por Igor Carvalho, do Brasil de Fato
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Rádio Centro Cajazeiras
