Organização Mundial da Saúde determina novas diretrizes sobre diabetes na gravidez 📸 © Tesa Robbins/Pixabay

Por Gabriel Albuquerque, do Jornal da USP – A Organização Mundial da Saúde divulgou as primeiras diretrizes sobre o tratamento de diabetes durante a gravidez, que incluem métodos para tratar a doença na gestação e cuidados para prevenir complicações. A endocrinologista Lívia Mara Mermejo, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP explica as causas da diabetes gestacional.

A diabetes gestacional ocorre quando a doença aparece pela primeira vez durante a gravidez, quando não há diagnóstico prévio. “A principal razão para o aparecimento de diabetes gestacional é o aumento do que a gente chama de resistência à insulina, que é provocado pelos hormônios da placenta. A placenta produz hormônios que antagonizam a ação da insulina e isso gera uma incapacidade do pâncreas em aumentar a secreção de insulina adequadamente em algumas pacientes.”. Os fatores que aumentam as chances de desenvolver diabetes durante a gravidez são diversos e incluem: obesidade, ganho de peso excessivo, idade materna avançada, história familiar de diabetes, casos de diabetes gestacional anteriores e síndrome dos ovários policísticos.

Desenvolvimento da doença e riscos ao bebê

Lívia explica que a chance de desenvolver diabetes durante a gestação é maior por motivos biológicos e mudanças no corpo. “A gravidez é um período de mudanças metabólicas e fisiológicas que elevam a resistência à insulina. Mulheres que já tinham fatores de risco têm uma maior probabilidade de desenvolver o diabetes gestacional. Com o aumento da prevalência de obesidade e de diabetes tipo 2 na população, há mais gestantes com diabetes pré-existente ou que desenvolvem hiperglicemia durante a gravidez, o que torna o rastreio e o acompanhamento ainda mais importantes.”

A professora também explica os riscos ao feto durante a gravidez. “Os riscos fetais estão relacionados à exposição dentro do útero à glicose aumentada que vem da mãe. A glicose da mãe atravessa a placenta e estimula a produção de insulina pelo feto, o que favorece um crescimento excessivo e aumenta os riscos durante o parto. Depois que o bebê nasce, no período neonatal imediato, o recém-nascido corre o risco de ter hipoglicemia, ou seja, do açúcar no sangue cair. Ele também tem o risco de desconforto respiratório e outras alterações metabólicas, maior chance de obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2 na infância ou na vida adulta.” Lívia destaca que o bebê não nasce com diabetes por ter sofrido exposição materna aguda, mas possui um risco aumentado no futuro para ter doenças metabólicas.

Medidas de prevenção e tratamento

As medidas de prevenção da diabetes gestacional começam ainda na fase pré-concepcional e se estendem por toda a gestação. “É necessário um rastreamento precoce logo na primeira consulta pré-natal para avaliar os níveis de glicemia da gestante. Entre 24 e 28 semanas de gravidez, todas as gestantes que não tinham diabetes previamente devem fazer um teste chamado Teste de Tolerância Oral à Glicose. Além disso, também é recomendado intervenções não farmacológicas que incluem cuidar da alimentação, ter uma dieta balanceada — sempre que possível orientada por nutricionista, prática de exercícios físicos que são apropriados à gestação previamente liberados pelo obstetra e realizados com educadores físicos,” finaliza a professora.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira

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