🥵⚽ Copa do Mundo de 2026 pode ter jogos sob calor extremo e risco para atletas e torcedores, alertam especialistas
A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, já começa a gerar preocupação antes mesmo da bola rolar. Um novo estudo internacional divulgado pelo grupo World Weather Attribution (WWA) alerta que cerca de 25% das partidas do torneio devem acontecer em condições consideradas perigosas por causa do calor extremo e da umidade elevada.

📸 Créditos da imagem: Pexels / Caio
O levantamento acendeu um alerta não apenas para os jogadores, mas também para milhões de torcedores que vão acompanhar os jogos em estádios e áreas abertas durante o verão norte-americano.
Segundo os pesquisadores, o cenário climático previsto para a competição é significativamente mais preocupante do que o observado na Copa de 1994, também realizada na América do Norte. A principal explicação seria o avanço das mudanças climáticas e o aumento consistente das temperaturas médias globais nas últimas décadas.
Os cientistas utilizaram como base o índice WBGT, sigla para “Temperatura de Bulbo Úmido e Globo”, considerado um dos principais indicadores do estresse térmico no corpo humano. Esse cálculo não leva em conta apenas a temperatura do ar, mas também fatores como umidade, intensidade do sol, vento e cobertura de nuvens.
Quando esse índice ultrapassa 26°C, especialistas já consideram que o desempenho físico pode começar a cair. Acima dos 28°C, o risco de doenças relacionadas ao calor se torna muito mais sério.
E os impactos vão muito além do simples desconforto.
Médicos alertam que partidas disputadas sob calor extremo aumentam drasticamente os riscos de desidratação severa, exaustão térmica, tonturas, câimbras, perda de coordenação motora e até insolação — condição que pode levar ao comprometimento neurológico e colocar vidas em risco.
Os pesquisadores afirmam que pelo menos cinco jogos da Copa podem ultrapassar justamente esse limite crítico de 28°C de WBGT, considerado inseguro para a prática esportiva intensa.
A preocupação fez a FIFA anunciar medidas preventivas. Pela primeira vez na história do torneio, todas as partidas terão pausas obrigatórias para hidratação em cada tempo de jogo. O objetivo é permitir que jogadores consigam reduzir minimamente a temperatura corporal durante as partidas.
Mas os especialistas afirmam que isso talvez não seja suficiente em algumas cidades.
Miami aparece como o local de maior preocupação em toda a Copa. A cidade da Flórida combina calor intenso com níveis extremamente altos de umidade, criando uma sensação térmica ainda mais perigosa para o organismo humano.
E existe um detalhe importante para os brasileiros: a Seleção Brasileira deve disputar uma das partidas da fase de grupos justamente em Miami.
Kansas City, Dallas, Houston e até a região de Nova York e Nova Jersey — onde acontecerá a final do Mundial — também aparecem entre os locais com maior risco climático.
Em algumas dessas cidades, mesmo com estádios climatizados, o problema permanece do lado de fora das arenas. Isso porque centenas de milhares de torcedores permanecem horas expostos ao calor em filas, áreas de circulação, festas, telões e deslocamentos urbanos.
Especialistas explicam que o corpo humano possui limites naturais para dissipar calor. Quando a umidade é muito alta, o suor deixa de evaporar corretamente e o organismo perde sua principal ferramenta de resfriamento. Isso pode fazer a temperatura corporal subir rapidamente.
Em casos extremos, a insolação pode provocar confusão mental, desmaios, convulsões e até falência de órgãos.
A preocupação com grandes eventos esportivos sob temperaturas extremas vem crescendo no mundo inteiro. Nos últimos anos, Olimpíadas, maratonas internacionais e campeonatos de futebol já registraram atletas passando mal por causa do calor.
A própria Copa do Catar, em 2022, precisou ser transferida para o fim do ano justamente por causa das temperaturas extremas do verão no Oriente Médio.
Agora, pesquisadores afirmam que o problema deixa de ser um fenômeno isolado e passa a representar uma nova realidade global.
Os cientistas do Imperial College London destacam que o aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas está tornando ondas de calor mais longas, intensas e frequentes em várias partes do planeta. E isso começa a afetar diretamente áreas antes consideradas relativamente seguras para grandes eventos esportivos.
Além do impacto esportivo, o estudo também levanta uma discussão importante sobre saúde pública, planejamento urbano e adaptação climática para o futuro.
Especialistas alertam que situações semelhantes podem se tornar comuns em festivais, shows, eventos religiosos, competições e até no cotidiano das cidades durante os próximos anos.
Enquanto milhões de pessoas aguardam a Copa do Mundo de 2026 como uma das maiores festas do esporte mundial, cientistas afirmam que o torneio também pode acabar se tornando um símbolo dos novos desafios climáticos enfrentados pela humanidade.
Créditos da matéria original: g1
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras
