Mobilização denuncia fechamento de agências, Programa de Demissão Voluntária (PDV) e perseguições a trabalhadores.

Trabalhadores dos Correios realizam, nesta quinta-feira (28/05/2026), a partir das 7h, um ato público em frente ao COA (Complexo Operacional e Administrativo dos Correios), no bairro Cristo Redentor, em João Pessoa. Convocada pelo Sintect/PB, a mobilização denuncia os impactos do Plano de Reestruturação da estatal na Paraíba, incluindo o Programa de Demissão Voluntária (PDV), a possibilidade de fechamento de unidades e supostas perseguições contra trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais após a última greve da categoria.

Segundo Tony Sérgio, secretário-geral titular do Sintect/PB, e também dirigente da CUT/PB, o ato pretende chamar atenção para o que o sindicato classifica como processo de desmonte dos Correios e de enfraquecimento do papel público da empresa. O dirigente afirma que a categoria está preocupada com os efeitos da reestruturação no atendimento à população e nas condições de trabalho dos empregados.

“O ato tem o objetivo de denunciar a situação pela qual a empresa está passando, com o fechamento de mais de mil agências em todo o país. Na Paraíba, serão 40 agências fechadas e um centro de distribuição”, afirmou Tony Sérgio.

Denúncias de perseguição política e sindical 

Além do fechamento de unidades, o sindicato também denuncia supostas perseguições contra trabalhadores que participaram da última greve. “Nós também estaremos debatendo as perseguições que estão ocorrendo contra militantes e dirigentes sindicais logo após a greve”, completou.

A fala de Tony Sérgio faz referência à greve dos trabalhadores dos Correios na Paraíba, iniciada em dezembro de 2025. Na ocasião, a categoria reivindicava reajuste salarial, manutenção de direitos no acordo coletivo e melhores condições de trabalho, além de apontar o sucateamento da empresa e a falta de investimentos. A paralisação foi encerrada após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que considerou a greve não abusiva, mas determinou o desconto dos dias parados.

Segundo o sindicato, após o movimento grevista, trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais passaram a relatar situações de perseguição e retaliação local. 

“Nós, enquanto sindicato, não iremos nos calar diante dos ataques que a empresa está promovendo, fruto de uma política de desmonte das empresas públicas que vem ocorrendo, principalmente nos Correios, ao longo dos últimos anos. Essa situação nós não permitiremos, também porque, por trás desse desmonte, há favorecimento de empresas privadas”, afirma Sérgio.

O dirigente também convocou a categoria e os movimentos sociais para o ato público.

“Diante disso, conclamamos não só os trabalhadores dos Correios, mas também os movimentos sociais e o movimento sindical, para participarem junto com a gente, logo a partir das 7h da manhã. Chamamos todos para essa mobilização, para fazer esse importante debate com a sociedade, por meio da nossa denúncia e do ato público”, completou.

Direção dos Correios 

Para a direção nacional dos Correios, o Plano de Reestruturação é apresentado como uma medida necessária para garantir a sustentabilidade financeira da estatal. Ao tomar posse, em setembro de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, afirmou, em fala reproduzida pela Findect, que “a empresa tem uma capacidade imensa de geração de caixa e é fundamental para o país”. Segundo ele, “o desafio é garantir sua sustentabilidade, mantendo a qualidade dos serviços e respeitando sua função pública e social”. 

A fala, no entanto, contrasta com as medidas anunciadas pela gestão, que incluem Programa de Demissão Voluntária, fechamento de unidades e redução de despesas.

Para José Aparecido Gimenes Gandara, presidente da Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), a recuperação dos Correios não pode ser construída às custas dos trabalhadores. “A empresa não só precisa de uma gestão eficiente, mas também de um compromisso real com a valorização dos trabalhadores”, declarou. 

Gandara afirma que qualquer processo de reorganização da estatal deve passar pelo diálogo com a categoria, pela preservação dos direitos e pela defesa do papel público dos Correios.

Contexto nacional

No plano nacional, os Correios anunciaram um Plano de Reestruturação 2025-2027, com captação de R$ 12 bilhões em crédito e projeção de redução de R$ 5 bilhões em despesas até 2028. A Agência Brasil informou que o plano prevê venda de imóveis e dois Programas de Demissão Voluntária, com meta de reduzir o quadro em até 15 mil empregados até 2027.  

Os Correios afirmam que mantêm a abrangência dos serviços postais em todo o território nacional, com fundamento no artigo 3º da Lei nº 6.538/1978, dentro do princípio da universalização dos serviços postais. A página também informa que a empresa possui canais de atendimento nos 5.553 municípios do país.

Em abril de 2026, a adesão ao PDV já somava 3.075 empregados, o equivalente a 30,7% da meta inicial prevista para o ano, segundo informações da Agência Brasil. A publicação também apontou a previsão de fechamento de cerca de mil unidades próprias dos Correios, o que corresponde a 16% das agências da companhia. 

Correios PB respondem a questionamentos

Após o envio das perguntas pela reportagem do BdF/PB, os Correios encaminharam uma nota oficial sobre o fechamento de unidades na Paraíba, o Programa de Demissão Voluntária (PDV) e as denúncias de perseguição contra trabalhadores e dirigentes sindicais. A empresa afirmou que o plano de reestruturação busca garantir a sustentabilidade financeira da estatal e negou qualquer prática de perseguição.


Confira a nota na íntegra:

“Os Correios esclarecem que não há definição de fechamento de agências na Paraíba nos termos mencionados pelo sindicato. A empresa está realizando estudos técnicos e administrativos em todo o país, dentro do Plano de Reestruturação 2025-2027, com o objetivo de garantir a sustentabilidade financeira da estatal e a manutenção da universalização dos serviços postais.

Os Correios reforçam que seguem presentes em todos os municípios brasileiros, conforme determina a legislação postal vigente, e que qualquer medida administrativa será conduzida de forma responsável, observando critérios técnicos, operacionais e de atendimento à população.

Sobre o Programa de Demissão Voluntária (PDV), a empresa informa que a adesão é facultativa e integra um conjunto de ações voltadas à adequação da estrutura organizacional e à redução de despesas.

Em relação às denúncias de perseguição contra trabalhadores, militantes e dirigentes sindicais, os Correios negam qualquer prática de retaliação e afirmam que mantêm o compromisso com o diálogo institucional, o respeito à livre organização sindical e o cumprimento da legislação trabalhista.”


O Brasil de Fato Paraíba continuará acompanhando os desdobramentos da reestruturação dos Correios, as denúncias apresentadas pela categoria e os impactos das medidas sobre os trabalhadores e o serviço prestado à população.

As informações são do Brasil de Fato

|📸© Joédson Alves/Agência Brasil