|📋🖊️ Termômetro de tendências da sociedade: o que as pesquisas eleitorais realmente nos dizem?


Instrumento para construção de narrativas para alguns, simples ferramentas de informação para tantos outros, as pesquisas eleitorais, vez ou outra, ocupam lugares de questionamentos. O fato é que elas não adivinham o futuro, mas indicam tendências.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro conseguiu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão de uma pesquisa que indicava o derretimento de sua candidatura após a revelação de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O papel desses levantamentos em períodos eleitorais é justamente o tema do episódio desta terça-feira (16) do videocast Três por Quatro, apresentado por Igor Carvalho, e que recebe o historiador e comentarista do programa, Valério Arcary.
Arcary considera as pesquisas eleitorais confiáveis e as define como um recurso técnico que indica tendências de evolução das opiniões da sociedade. “Isso não significa que não há margem de erro. E há que se considerar que as sociedades se transformam. A capacidade dos censos, ou seja, das investigações feitas pelo IBGE — que, repito, é uma fonte séria de informação — acaba por não captar todas as transformações, inclusive algumas que eu chamaria de moleculares. A nossa atual sociedade não é a mesma de 20 anos atrás. Assim como houve em outros momentos rupturas geracionais, como foi na virada dos anos 1960 para 1970, assim como a virada do século 21. Nem sempre as pesquisas estão na sintonia fina, capturando todas essas mudanças que têm dimensões atomizadas”, avalia.
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Por essa razão, continua o historiador, é fundamental fazer uma análise da série do conjunto de pesquisas. “Vai mostrar as tendências e contra-tendências, os fluxos e refluxos”, aponta.
A última pesquisa Genial/Quaest mostra vantagem de Lula em relação aos outros presidenciáveis. Outra pesquisa, da Atlas/Intel, divulgada em junho, também mostrava um cenário semelhante, mas foi questionada pela campanha de Flávio porque a última das perguntas dizia respeito ao envolvimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com Vorcaro.
“Não considero que a gente consiga ter com muita antecedência no Brasil alguma segurança sobre as dinâmicas que vão ficar cada vez mais intensas e agudas”, analisa Arcary. “Vamos recordar que mais ou menos metade da população não acompanha o noticiário político. Nós estamos em uma quarta conjuntura em um ano e meio. Isso não é pouco”, destaca. “No primeiro semestre do ano passado, era crescente a taxa de desaprovação do governo Lula, era clara uma ofensiva de toda a oposição, e o governo estava em uma defensiva. Isso modificou em julho. Pesou o ataque de Trump em uma superagressão tarifária, teve as trapalhadas do bolsonarismo e dos aliados no Congresso Nacional numa campanha pela anistia de Bolsonaro às vésperas do julgamento que condenou Bolsonaro e quatro generais de quatro estrelas à prisão por golpismo. De julho a dezembro, o governo Lula pode se apoiar em grandes momentos de mobilização popular em grandes centros urbanos”, enumera Valério Arcary.
Arcary lembra que, naquele momento, o ex-presidente lança seu filho mais velho como pré-candidato à presidência e implode a construção da candidatura do governador paulista Tarcísio de Freitas. Ganha tração a esse plano, inclusive alcançando vantagem diante de Lula. Contudo, esse projeto encontra obstáculos após o envolvimento de toda a família Bolsonaro com o Banco Master.
“Ainda é cedo [para definir qualquer resultado]. Na análise, a gente não pode deixar que os nossos desejos contaminem a informação. Nós temos que deixar a informação falar por si própria. Porque só com uma análise o mais objetiva é que é possível definir táticas com as quais é possível vencer a batalha”, pondera.
As informações são de Igor Carvalho e Maria Teresa Cruz, do Brasil de Fato
|📸© Fernando Frazão/Agência Brasil
Rádio Centro Cajazeiras
