Seleção Brasileira foi protagonista do Jogo da Paz em 2004 no Haiti 📸© ARQUIVO/Ana Nascimento/ABr

O Haiti, país do Caribe que é um dos adversários do Brasil na Copa de 2026, guarda ligações afetivas e sociais com o nosso país. Foi do Brasil a responsabilidade, no início do século, da organização da Missão das Nações Unidas que visava pacificar o país, que estava em guerra civil. E além dos militares brasileiros, outra equipe verde e amarela fez sua parte nessa missão: a seleção brasileira. Em 18 de agosto de 2004 a seleção canarinho, então campeã mundial, foi até a capital do Haiti, Porto Príncipe, para o Jogo da Paz contra o Haiti. Uma comitiva de 4 senadores acompanhou in loco as movimentações. Um deles era o goiano Maguito Vilela, que ficou impressionado com o movimento gerado pela seleção:

(Maguito Vilela) Se não fosse um povo de índole pacífica, se não fosse um povo de índole boa, a seleção brasileira não poderia ter corrido o risco de lá se apresentar. Primeiro porque o estádio não comportava mais do que 13.000 torcedores. Segundo: o estádio praticamente não tinha grama, tiveram que adquirir uma grama sintética para colocar ao longo do campo de futebol para que a seleção pudesse exibir e o seu belíssimo futebol.

Além de Maguito Vilela acompanharam a seleção os então senadores Hélio Costa, de Minas Gerais, Leomar Quintanilha, do Tocantins e Eduardo Suplicy, de São Paulo. Quem também estava em Porto Príncipe e lembra com detalhes de toda a empolgação gerada pelo jogo era o repórter Paulo Cabral, naquela ocasião, correspondente da BBC.

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Porto Príncipe, Haiti – 17/08/04 – Militares do Exército Brasileiro e da polícia local tentam organizar a multidão de haitianos que vieram ao Estádio Sylvio Cator para comprar de ingressos pro jogo da paz entre Brasil e Haiti 📸© ARQUIVO/Ana Nascimento/ABr

(Paulo Cabral) Então ter esse momento tão bonito de ver os haitianos gritando nas ruas, satisfeitos, felizes com ter alguma coisa acontecendo, né, saudando aquela comitiva de veículos militares que colocaram com jogadores em cima. Foi algo de fato muito bonito de ver. Claro que a gente tem sempre que tomar cuidado. para não deixar os momentos bonitos apagarem, fazerem esquecer a tristeza geral, né?

O técnico do Brasil na partida era Carlos Alberto Parreira que, em depoimento ao canal do youtube do Exército Brasileiro, lembra as imagens da multidão acompanhando os jogadores até o estádio.

(Parreira) O importante era as pessoas aglomeradas na rua dos dois lados, às vezes passando em áreas muito pobres, favelas mesmo, mas as pessoas com sorriso nos lábios gritando. Eles conheciam todos os jogadores, Ronaldo, Ronaldinho, Pelé, eles não paravam de agitar os braços de bandeirinha e de gritar e acompanhando, correndo e se atropelando uns aos outros do lado esquerdo, do lado direito.

E o resultado do jogo, como aponta Paulo Cabral, acabou não importando tanto.

(Paulo Cabral) Mas de todo modo, sim, eu diria que foi muito muito lindo ver um povo sofrido daquele jeito, ter pelo menos algumas horas ali de uma animação, de alguma coisa para focar diferente daquela dificuldade de todos os dias. Então esse o momento fora do estádio que eu diria que me marcou intensamente por conta disso. E aí dentro do estádio, uma alegria gigantesca. Eu acho que eu nunca vi nenhuma seleção ficar tão feliz de levar uma goleada.

Você acabou de ouvir a narração de um dos gols de Ronaldinho Gaúcho pela Televisão Nacional do Haiti. O Brasil venceu o jogo da paz por 6 a 0, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger Flores e um de Nilmar. As informações são da Rádio Senado, de Rodrigo Resende.

|📸© ARQUIVO/Ana Nascimento/ABr