Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de posse do Secretário-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos 📸 © Valter Campanato/Agência Brasil

No próximo sábado (07/03), a Direção Nacional do Psol decidirá sobre uma proposta petista, para que os partidos se unam em uma federação, a fim de disputar as eleições de 2026. A sugestão partiu de Edinho Silva, presidente nacional do PT, que se reuniu com presidenta nacional do Psol, a Paula Coradi.

O assunto tem circulado dentro do Psol desde o final de 2025 e o debate ganhou força nas últimas semanas, após manifestações públicas de dirigentes e parlamentares do partido na imprensa e em seus perfis nas redes sociais.

O debate isolou a Revolução Solidária, corrente liderada por Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e uma das principais lideranças psolistas. As outras 16 tendências do partido se manifestaram contrárias à proposta petista. Internamente, a proposta já é tratada como derrotada.

Os opositores e favoráveis se encontram em um único consenso, o apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, esse ponto é inegociável para o partido. O Psol entende que o petista é a única alternativa para combater a extrema direita no país. O apoio pode ser feito por meio de coligação partidária, que traz uma relação de união por tempo determinado, no caso, a próxima eleição.

Valério Arcary, historiador, professor titular no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e militante da Resistência, uma das maiores correntes do partido, explica que a divergência está na estratégia para a aliança com Lula.

“O que foi proposto obedece apenas ao cálculo eleitoral e não podemos nos limitar à disputa das eleições”, afirma Varcary. “O desafio é saber se é possível disputar por dentro do governo e isso significa ir além do lulismo. A decisão de entrar na federalização é um gesto que sinaliza que o Psol estaria disposto a sacrificar a independência crítica do Psol, tendo como compensação a possibilidade de aumentar o número dos parlamentares eleitos nas eleições de 2026. Não podemos ignorar que Boulos disputa um lugar na sucessão do Lula, também no pós-2026, e ele acredita que isso só é viável numa relação mais estreita com a CNB [Construindo um Novo Brasil], que é o campo majoritário do PT”, finalizou.

deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), integrante do Campo Socialista do partido, que reúne nove tendências, também é crítico à proposta. “Posso te dar três motivos para não aderirmos à federação: a diluição programática, o enfraquecimento da independência política e o aprisionamento em relação à agenda eleitoral.”

O parlamentar cita o Rio de Janeiro como exemplo. No estado, o PT apoiará a candidatura do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), ao governo estadual. Porém, o Psol terá um candidato próprio e Glauber Braga está entre os nomes cogitados.

A criação de uma federação implica que os partidos associados mantenham a aliança no território nacional, em todas as disputas majoritárias. A união também prevê o compartilhamento programático nas eleições, além de garantir a soma de votos dos candidatos, evitando que os partidos sejam punidos pela cláusula de barreira, que tira recurso do Fundo Partidário das agremiações com menos de 11 eleitos em pelo menos nove estados.

Assim, para o grupo favorável à federação, está na mesa a possibilidade do partido aumentar o número de eleitos em todo o país. No Nordeste, por exemplo, o Psol nunca elegeu um deputado. Em 2022, a co-deputada estadual Robeyoncé se candidatou a deputada federal em Recife (PE) e obteve 80 mil votos.

Apesar de ser a 21ª mais votada do estado, que conta com uma bancada de 25 deputados federais, Robeyoncé não foi eleita, pois a federação Psol/Rede só conseguiu votos proporcionais para uma vaga, que ficou com Túlio Gadelha (Rede), que teve 134 mil votos.

“A Federação permitirá a ampliação da bancada progressista e de esquerda no Congresso, ela permitirá a viabilidade eleitoral. Na última eleição, a esquerda não elegeu deputados federais em seis estados, isso poderia ser revertido no cenário da Federação”, afirma Tiago Paraíba, tesoureiro nacional do Psol e militante da Revolução Solidária, corrente de Guilherme Boulos.

Saídas da corrente de Boulos

Na última terça-feira (3), 47 psolistas anunciaram a saída da Revolução Solidária. O economista José Fevereiro, ex-dirigente nacional do partido, está entre os militantes que romperam com a tendência e criticou a medida.

“Não se trata mais de acumular força à esquerda para disputar a hegemonia do próximo período político, mas de localizar Guilherme Boulos o mais próximo possível de Lula para tentar furar a fila da ‘benção’ em 2030”, afirmou Fevereiro em um manifesto divulgado pelo grupo.

Brasil de Fato escutou pessoas próximas a Guilherme Boulos, que garantiram que a saída do partido não está colocada na mesa e que o ministro pretende seguir no Psol. “Essa ideia não partiu dele, sempre que se falou sobre isso, foram de outras pessoas, de outras correntes”, afirmou um aliado.

Até a publicação dessa matéria, Guilherme Boulos não haviam se manifestado. Caso o façam, o texto será atualizado.

Com informações de Igor Carvalho, do Brasil de Fato

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