|🇧🇷 Copa 2026 vira espetáculo de luxo, mas segue arrastando milhares de fãs aos estádios


Além de ser a maior Copa do Mundo da história, com participação de 48 seleções, esse mundial caminha para ser também o mais caro para o público. A receita estimada deve ser de quase US$ 11 bilhões de dólares, segundo a consultoria financeira Sports Value. Isso representa 56% a mais do que a receita da Copa do Catar, que arrecadou US$ 7 bilhões.

O que possibilita todo esse lucro são os preços recordes dos ingressos, que assustam. Na fase de grupos, a Fifa colocou os preços variando entre US$ 60 e US$ 2.735 dólares. Pela cotação atual, isso dá uma variação de R$ 312, para o mais barato, e inacreditáveis R$ 14.200 para o mais caro.
Para se ter uma ideia, na Copa do Mundo do Catar, em 2022, o ingresso mais barato na fase de grupos custava US$ 69, ou R$ 359, e o mais caro era vendido por US$ 220, ou R$ 1.140. A variação de preços em relação è Copa de 2026 é de 1.143%.
Os valores mais altos, obviamente, são para a grande final. Nesta Copa de 2026, os preços variam de R$ 10.600 , na categoria D, e R$ 57.400 na categoria A, a mais cara.
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Isso representa um aumento de 587% em relação à Copa do Catar, quando o ingresso mais caro para a final custava US$ 1.600, ou R$ 8.349, na cotação atual.
Os valores são diferentes de acordo com setores dos estádios e fases da competição. Se um torcedor quiser acompanhar seu país do início ao fim do mundial, a estimativa é que ele terá que gastar 19 mil e setecentos reais na categoria D de ingressos, o setor mais barato dos estádios.
Os valores dos ingressos desta Copa são tão altos porque a FIFA mudou sua lógica de preços. Antes, ela costumava manter valores relativamente acessíveis. Agora, a entidade usa mecanismos de “preço dinâmico”, que sobe conforme a demanda aumenta, cobrando o máximo que o mercado aceita pagar. Os reajustes ocorreram em três ondas: entre outubro e dezembro de 2025, após o sorteio dos grupos e, novamente, em abril de 2026.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a política de preços dinâmicos, afirmando que era preciso aplicar os valores de mercado, porque nos Estados Unidos é permitida a revenda de ingressos. Então, se fossem vendidos por um preço muito baixo, eles seriam revendidos por valores muito maiores.
O problema é que isso acabou “elitizando” a Copa, mudando a maioria do público de torcedores apaixonados para consumidores ricos ou turistas corporativos. Os preços altos causaram a revolta de parte do público que queria acompanhar o mundial presencialmente
O Football Supporters Europe (FSE), grupo de torcedores europeus, pediu para a Fifa a suspensão da venda dos bilhetes. Eles alegaram que entidade impôs preços “extorsivos”, o que pode excluir muitos torcedores do torneio.
O mais irônico é que os estádios da Copa estão quase cheios. Nos 24 jogos da primeira rodada da fase de grupos, a taxa de ocupação das arenas variou de 97% a 99%. Média de 65,5 mil torcedores por partida.
Oito confrontos tiveram lotação máxima, inclusive os dois disputados no lugar que mais cabe torcedores. O estádio Azteca, na Cidade do México, teve 100% dos seus 80.824 lugares ocupados no jogo entre México e África do Sul, que abriu o Mundial, e em Uzbequistão contra a Colômbia, que encerrou a rodada.
|📸© Bruno Peres/ABr
Rádio Centro Cajazeiras
