|📊 Pesquisa indica que direita busca nome de consenso e ainda não converge pra Flávio Bolsonaro


A poucos dias do início das convenções partidárias, a 6ª rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus indica que cerca de 18% dos eleitores ainda pretendem votar em candidatos diferentes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mantendo aberto um espaço relevante fora da principal disputa presidencial. Divulgado, nessa segunda-feira, 13, o levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07981/2026 mostra Lula na liderança, com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%.
Os números representam poucas mudanças em relação à rodada anterior. Lula oscilou de 42% para 40%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Flávio Bolsonaro manteve os mesmos 34%. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (União Brasil), com 5%, e Renan Santos e Romeu Zema (Novo), ambos com 4%. A pesquisa ouviu 2.003 eleitores, entre quinta-feira e sábado, nas 27 unidades da Federação, por meio da metodologia CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing), com 95% de nível de confiança.
Para o cientista político Elias Tavares, o principal aspecto revelado pela pesquisa não está na estabilidade dos dois primeiros colocados, mas na permanência de um contingente expressivo de eleitores distribuído entre candidaturas alternativas às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. “Não significa que uma terceira via já esteja constituída. Esses votos ainda estão espalhados entre candidaturas diferentes, com projetos e estruturas partidárias distintas. Mas existe um espaço eleitoral considerável fora da polarização principal. São quase dois em cada dez eleitores com candidato que, neste momento, não escolheram Lula nem Flávio Bolsonaro”, afirma.
Outro indicador investigado foi a motivação do voto. Os dados mostram que 23% do eleitorado afirmam escolher um candidato principalmente para impedir a vitória do adversário. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 32% disseram votar nele apenas para derrotar Lula. Entre os apoiadores do presidente, 19% afirmaram escolher Lula principalmente para impedir a eleição do senador.
Segundo Tavares, esse eleitorado poderá migrar para Lula ou Flávio Bolsonaro conforme a campanha avance e o voto útil ganhe força. Outra possibilidade é que parte desses votos permaneça em candidaturas alternativas caso algum concorrente consiga reunir alianças, estrutura partidária e competitividade suficientes para ampliar sua presença na disputa nacional.

Dificuldade para ampliar apoios
Na avaliação do cientista político, outro sinal importante do levantamento é que Flávio Bolsonaro mantém uma base eleitoral consolidada, mas ainda não conseguiu reunir em torno de sua candidatura o conjunto das forças de oposição ao governo federal. “O que a pesquisa começa a captar é um movimento ainda sutil de desconcentração dentro da direita. Flávio Bolsonaro preserva um eleitorado expressivo e aparece com 34%, mas ainda não conseguiu transformar a força do bolsonarismo em unidade partidária de toda a oposição”, diz.
Essa leitura, segundo Tavares, encontra respaldo nas negociações partidárias em andamento. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que o partido ainda não firmou acordo com Flávio Bolsonaro e indicou uma tendência de neutralidade na eleição presidencial, embora tenha descartado apoio ao PT.
Situação semelhante ocorre na federação formada por PP e União Brasil, que também caminha para não formalizar apoio à candidatura do senador. Caso esse posicionamento seja mantido, parte dos maiores partidos do campo de centro-direita deverá priorizar as disputas estaduais e a formação de bancadas no Congresso Nacional, deixando as alianças presidenciais para decisões regionais.
Na avaliação de Tavares, esse cenário amplia a autonomia dos diretórios estaduais para negociar alianças de acordo com as particularidades políticas de cada Estado, exigindo que os candidatos à Presidência busquem apoio diretamente nas lideranças regionais. “Esses partidos possuem governadores, prefeitos, candidatos ao Senado, grandes bancadas e estruturas eleitorais espalhadas pelo País. A neutralidade não significa ausência da eleição. Significa que cada diretório poderá construir suas alianças estaduais e que os dois candidatos à Presidência terão de disputar esses apoios regionalmente”, explica.

Avaliação do governo
Além das intenções de voto, a pesquisa mostra que a aprovação do trabalho pessoal do presidente Lula chegou a 47%, mesmo percentual registrado para a desaprovação. É a primeira vez na série histórica de 2026 que os dois indicadores aparecem no mesmo patamar. Na avaliação qualitativa do governo, 41% classificaram a gestão como ruim ou péssima, sendo 33% apenas péssima. Outros 35% consideraram a administração ótima ou boa.
Nos cenários simulados de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto diante de 44% de Flávio Bolsonaro. Contra Romeu Zema, o presidente registra 47%, enquanto o adversário soma 40%. No confronto com Ronaldo Caiado, Lula também aparece com 47%, diante de 38% do governador. Já na simulação contra Renan Santos, o presidente alcança 49%, contra 35% do adversário.
A pesquisa também mediu o impacto do vídeo em que Michelle Bolsonaro critica Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados disseram conhecer o episódio e 46% avaliaram que ele prejudica a candidatura do senador. Desse grupo, 27% consideram que o impacto é muito negativo.

As informações são da AGÊNCIA CENARIUM
|📸© Beto Barata/PL via Fotos Públicas
Rádio Centro Cajazeiras

