|🚘 Inovação brasileira promete evitar acidentes e aumentar a proteção de motoristas

📸© Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Uma nova tecnologia automotiva de frenagem automática está sendo desenvolvida no Brasil. O sistema será obrigatório em todos os veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes.
O sistema utiliza um radar para identificar objetos à frente do veículo e medir distância e velocidade, enquanto uma câmera complementa a leitura ao reconhecer o tipo de obstáculo. Essas informações são processadas para que o veículo acione automaticamente os freios quando houver risco de colisão.
A tecnologia faz parte do Advanced Driver Assistance Systems (ADAS) — ou Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista —, conjunto de sensores, sistemas de processamento de sinais e softwares destinados a aumentar a segurança e auxiliar a condução dos veículos. A frenagem automática é apenas um dos recursos que integram essa plataforma.
Segundo o professor Marcelo Augusto Leal Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP, essa tecnologia integra o processo de automação dos veículos e já é obrigatória em diversos países, especialmente na Europa.
O pesquisador explica que o sistema foi desenvolvido para prevenir acidentes provocados por distração do motorista:
“Em uma situação típica de trânsito, em que os veículos andam e param constantemente, o motorista pode se distrair e não perceber que o carro à frente freou. O sistema evita esse tipo de colisão traseira, que, embora muitas vezes não seja grave, provoca prejuízos materiais e contribui para aumentar os congestionamentos. Ele também pode impedir que o veículo atinja um pedestre ou um obstáculo que tenha surgido na pista”.
Tecnologia amplia a segurança e fortalece a indústria nacional
Apesar dos benefícios, a tecnologia ainda apresenta custo elevado. De acordo com Marcelo Alves, diversos testes ainda precisam ser realizados para garantir a confiabilidade dos sensores e dos sistemas de processamento. Ele ressalta que a produção em escala no Brasil será fundamental para evitar um aumento significativo no preço dos veículos. A expectativa é que os custos diminuam gradualmente, como ocorreu com outros equipamentos de segurança, entre eles o airbag.
Além de ampliar a segurança no trânsito, o projeto busca reduzir a dependência tecnológica do País. O desenvolvimento nacional da tecnologia pode estimular a geração de empregos, a formação de profissionais especializados, a redução dos custos de importação e o aumento da competitividade da indústria automotiva brasileira.
Atualmente, o projeto é desenvolvido pelo Senai Park de Suape, em Pernambuco, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB), a Volkswagen e a Stellantis, grupo que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. O Senai Park de Suape funciona como um polo de inovação voltado ao desenvolvimento de tecnologias industriais, mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai-PE).
As informações são do Jornal da USP
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