“Wellness Tourism” se consolidou após a pandemia, movimentando bilhões e transformando a relação do viajante com o tempo e a natureza 📸© Fotos Publicas

O professor Alexandre Panoso Neto, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, nos fala sobre o conceito de turismo de bem-estar ou Wellness Tourism .

O Global Wellness Institute define este segmento como viagens associadas à busca de manutenção ou melhoria do bem-estar pessoal. A relação entre turismo e bem-estar vem crescendo significativamente na pesquisa acadêmica. Um estudo publicado em 2024, na revista científica Economist, mostrou que essa relação se tornou ainda mais importante depois da pandemia de covid-19. O turismo passou a ser analisado não apenas como atividade econômica ou experiência de consumo, mas também como uma prática relacionada à qualidade de vida, à satisfação, à recuperação e ao bem-estar dos indivíduos. Panoso comenta que o crescimento deste segmento mostra que não estamos diante de uma moda passageira, e dados do Global Wellness Institute mostram que em 2024 o turismo de bem-estar movimentou cerca de US$ 890 bilhões. “O segmento representou 8,3% de todas as viagens turísticas e 17,6% dos gastos turísticos mundiais”, diz ele.

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Possibilidade de desacelerar

O próprio Plano Nacional de Turismo 2024-2027 do Ministério do Turismo destaca a diversidade brasileira, os seis biomas, as paisagens, as montanhas, as praias, a cultura, a gastronomia e os cenários adequados ao relaxamento. Além disso, uma pesquisa divulgada em 2024 mostrou que 20% dos entrevistados apontamsaúde e bem-estar entre suas preferências de viagem, enquanto 27% mencionavam natureza e ecoturismo, ou seja, existe tanto oferta potencial quanto demanda. “Por exemplo, podemos imaginar experiências de turismo de bem-estar na Serra da Cantareira,na Mantiqueira e nas estâncias hidrominerais paulistas e mineiras.Entretanto, não é necessário transformar esses lugares em grandes complexos turísticos.Pelo contrário, em muitos casos o diferencial pode estar justamente na pequena escala, nosilêncio, na natureza, na gastronomia local, na hospitalidade, na caminhada, no contato com comunidades e na possibilidade de desacelerar”, comenta o professor.

Não se trata simplesmente de vender uma viagem para pessoas cansadas, trata-se de pensar que tipo de experiência turística pode contribuir para que as pessoas voltem da viagem diferentesde quando partiram.Se voltarmos descansados, com novas experiências, relações fortalecidas, maior contato com a natureza e uma percepção diferente de nosso próprio tempo, então a viagem pode efetivamente ter cumprido uma função restauradora.

Por Cinderela Caldeira, do Jornal da USP

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