A maré vermelha no Sertão: o recado das ruas de Cajazeiras na reta final da disputa
A noite de 14 de outubro em Cajazeiras, no coração do Sertão paraibano, não foi feita para o silêncio. Em uma demonstração de força que serve de termômetro para a fervura política desta reta final de campanha, as ruas da cidade foram tomadas por uma multidão que transformou o asfalto em um mar rubro em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais do que uma mobilização popular espontânea, o ato evidenciou o peso da articulação política na região. Do alto do carro de som, guiando a massa que se estendia por quarteirões inteiros, estavam figuras centrais do poder local: a prefeita Socorro Delfino e o deputado estadual Chico Mendes. A presença dessas lideranças no palanque móvel – exibindo bonés, bottons e fazendo o tradicional “L” para o público – amarra a campanha nacional às dinâmicas do interior do Nordeste, demonstrando que a base de apoio não é apenas retórica, mas engajada e capilarizada nas estruturas do município.


Contudo, o que mais chama a atenção na massa que caminhou pacificamente pela cidade não é apenas o volume de pessoas mobilizadas por essas lideranças, mas a intersecção de pautas e a diversidade social. Entre as bandeiras vermelhas de campanha, tremulavam lado a lado as bandeiras do movimento LGBTQIA+. O recado mais contundente da noite não veio necessariamente dos microfones do carro de som, mas do próprio asfalto: erguido na linha de frente da passeata, um cartaz de papelão trazia a frase “Não há tolerância com quem te quer morto”.







É uma imagem que sintetiza o espírito de parte do eleitorado em 2026: a eleição não é vista apenas como uma disputa administrativa, mas como uma trincheira de sobrevivência e direitos sociais. A mobilização massiva em Cajazeiras reforça que, no tabuleiro político nacional, o Nordeste continua sendo um território de intensa disputa e paixão militante.
Fotografias: Juninho da Mídia @adukefilmspb

