|🫏🐘Democratas impõem derrota a Trump e conquistam maioria na Câmara e no Senado dos EUA


O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, as midterms, realizadas nesta terça-feira (3). O resultado, consolidado na madrugada desta quarta-feira (04/11), é a derrota política mais dura sofrida por Donald Trump desde a volta à Casa Branca e deve travar a agenda do republicano nos dois anos que restam de governo.
Os republicanos controlavam a Câmara desde janeiro de 2023, depois de vencerem as midterms de 2022, e o Senado desde janeiro de 2025, após a eleição de 2024, a mesma que reconduziu Trump à Presidência. Desde então, o presidente governava com maioria nas duas Casas.
No Senado, os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro cadeiras para desfazer a vantagem republicana de 53 a 47. Viraram sete, em Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas, e chegaram a 54 das 100 cadeiras, com duas disputas ainda sem definição no fechamento desta nota. A agência Associated Press (AP) confirmou a maioria democrata na Casa ainda na noite de terça.
Na Câmara dos Representantes, renovada integralmente a cada dois anos, o partido já superou as 218 cadeiras necessárias para a maioria entre as 435 em disputa.
Derrotas em território trumpista
As vitórias mais simbólicas vieram de estados que eram considerados redutos republicanos. No Texas, o pastor presbiteriano James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton com 55% dos votos. Trump havia apoiado Paxton nas primárias contra o senador John Cornyn, apesar dos alertas de lideranças do partido de que o candidato, envolvido em uma série de escândalos, teria dificuldade na eleição geral. No mesmo estado, a democrata Gina Hinojosa venceu o governador Greg Abbott, que tentava a reeleição.
No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1932. Na Carolina do Sul, onde Trump venceu por quase 18 pontos em 2024, a pediatra Annie Andrews derrotou Darline Graham, nomeada para o Senado após a morte do irmão, Lindsey Graham, em julho. Andrews é a primeira mulher eleita senadora pelo estado e a primeira democrata a vencer ali desde 1998.
No Maine, o ex-lenhador Troy Jackson tirou do cargo Susan Collins, que estava há 30 anos no Senado. Em Iowa, que não elegia um senador democrata desde 2008, Josh Turek venceu a deputada Ashley Hinson. Em Ohio, Sherrod Brown derrotou o senador Jon Husted, por quem Trump fez campanha diversas vezes no estado. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper garantiu outra virada. Em Michigan, Abdul El-Sayed venceu em disputa apertada e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado.
Os democratas também mantiveram cadeiras disputadas, como a da Geórgia, onde Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins. “Em vitórias avassaladoras e decisivas, o povo estadunidense repudiou a depravação, a corrupção e a incompetência do fracassado presidente ‘pato manco’ Donald J. Trump”, discursou Ossoff a apoiadores, usando a expressão aplicada a governantes em fim de mandato e sem força política.
Mesmo onde venceram, os republicanos viram as margens encolherem. Na Flórida, Byron Donalds se elegeu governador com vantagem de apenas 1,5 ponto percentual, num estado em que o antecessor, Ron DeSantis, havia vencido por 20 pontos quatro anos atrás.
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Custo de vida e guerra
O resultado reflete o descontentamento do eleitorado com o custo de vida, puxado pela alta dos combustíveis e dos alimentos, e com a guerra no Irã. Nos dois primeiros anos do mandato, Trump lançou campanhas militares contra a Venezuela e o Irã, com resultados irregulares. O próprio presidente admitiu que o conflito com Teerã pode ter pesado contra o partido, embora tenha defendido a ofensiva.
Trump, por sua vez, havia transformado a disputa em um teste sobre si mesmo: ao longo da campanha, pediu repetidas vezes aos apoiadores que votassem como se ele próprio estivesse na cédula.
Após a derrota, o presidente adotou um tom conciliador em entrevista por telefone à Fox News. “Os democratas fizeram um bom trabalho. Estavam atrás disso havia 11 anos e finalmente conseguiram”, declarou. “Mas não vejo isso como um golpe contra mim. Tivemos os dois melhores anos da história da Presidência”, acrescentou.
Na rede Truth Social, porém, Trump sustentou outra versão. “Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido DE LAVADA”, escreveu.
Ao jornal The New York Times, o republicano disse que reconhece o resultado. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou. Na semana anterior, Trump havia condicionado o reconhecimento à lisura da votação. “Sim, respeitarei, se forem eleições honestas”, disse a jornalistas durante viagem ao Texas.
‘Senhor Veto’
Com a maioria nas duas Casas, os democratas poderão barrar indicações de Trump, inclusive para tribunais federais e eventuais vagas na Suprema Corte, além de assumir o comando das comissões do Congresso. O partido promete abrir investigações sobre o presidente, a família e o governo dele, e questionar a continuidade do financiamento da guerra no Irã. O novo Legislativo toma posse em janeiro.
Líder da bancada democrata e cotado para presidir a Câmara, Hakeem Jeffries prometeu uma agenda legislativa centrada no poder de compra das famílias. “Os extremistas Maga estão em fuga de costa a costa. Donald Trump está abalado neste momento”, afirmou em vídeo divulgado após os resultados.
Trump já sinalizou como pretende reagir. Enquanto os primeiros resultados chegavam, publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”. Dias antes, em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, havia antecipado a estratégia. “Acho que vou virar o senhor Veto”, previu. “Eles vão mandar algumas coisas e você veta. Depois de um ou dois meses sendo vetados, percebem que estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, descreveu.
A nova correlação de forças em Washington também interessa ao Brasil. Parlamentares democratas, entre eles o senador Bernie Sanders, vinham acusando o governo Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras e agora terão mais instrumentos para cobrar explicações da Casa Branca.
|📸© Chris F/Pexels
Rádio Centro Cajazeiras

