|🌽 Cuscuz, patrimônio imaterial da Unesco, é símbolo de afeto e também identidade cultural

Seja acompanhado por um café quentinho no desjejum, ou servido com ovos, carne do sol e banana da terra, o cuscuz é muito mais do que um alimento: é um rito cultural.

Memória afetiva de muitos brasileiros, o cuscuz no país se ramificou em tradições distintas que refletem a criatividade de cada região. Tem cuscuz nordestino, tem cuscuz paulista e até cuscuz doce. Um prato de versatilidade única e de muitas possibilidades, como lembra o instrutor de gastronomia do Senac Bahia, Vinícius Soares.
“O cuscuz é um daqueles alimentos simples, baratos e super versáteis que fazem parte do nosso dia a dia, principalmente aqui no Nordeste. E o melhor de tudo é que ele combina com muita coisa e pode aparecer em várias versões. Hoje a gente comemora o Dia do Cuscuz, e a melhor parte dele é que o preparo dele é superfácil. Misturou um pouco do flocos de milho com a água e sal, deixou hidratar por alguns minutos e depois leva para uma cuscuzeira, ou até mesmo no micro-ondas, até ele ficar macio e soltinho. A partir daí, é só soltar a criatividade. O clássico cuscuz com manteiga já é maravilhoso, mas dá para ir muito além disso. Uma ótima opção para o café da manhã é consumir ele com ovinhos mexidos e queijo coalho. Mas se eu quiser uma coisa um pouco mais reforçada, eu posso colocar um pouco de frango desfiado e requeijão cremoso. Se eu quiser transformar ele completamente, dá para colocar alguma proteína da minha preferência, um pouco de tomate, cebola e coentro e fazer um cuscuz temperado que vai servir como uma saladinha morna incrível. Se eu quiser uma coisa ainda mais reforçada, eu posso consumir ele com carne do sol, com outras proteínas e até com uma linguiça acebolada. Vai ficar maravilhoso. E ele é assim: simples, gostoso e cheio de possibilidades”.
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Embora o Brasil tenha adotado o cuscuz como um pilar de sua gastronomia, sua origem remonta ao norte da África. A técnica de cozinhar a sêmola no vapor atravessou o Mediterrâneo, chegou à Europa e desembarcou em solo brasileiro com os colonizadores portugueses e os africanos, onde ganhou a identidade que conhecemos hoje, trocando o trigo pelo milho. Além do valor cultural, o cuscuz se destaca pelo custo-benefício e valor nutricional. É uma fonte de carboidratos complexos, livre de glúten e altamente saciante, o que o mantém como um protagonista democrático na mesa dos brasileiros, como ressalta a nutricionista Isabella Abade.
“O cuscuz, ele é um alimento muito rico em vitaminas do complexo B. Então é excelente fonte de energia, além de ser um alimento também que não possui nenhum tipo de gordura. Também não vai ter nenhum glúten associado. Então, para pessoas que têm uma digestão um pouco sensível, é um alimento muito benéfico. Então é um excelente café da manhã, um carboidrato complexo que fornece uma energia incrível se muito bem associado com uma proteína de boa qualidade: um ovo, um queijo, um frango desfiado, algo nesse sentido. Então, o cuscuz, ele tem vários benefícios. Começando com a produção de energia, tanto também como a nossa saúde cardiovascular. O cuscuz também vai ser benéfico ali para a gente”.
Em 2020, o cuscuz foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, um reconhecimento que elevou o prato ao status de joia da culinária global. Neste 19 de março, o convite é para celebrar a memória afetiva que o cheirinho que sai da cuscuzeira desperta em cada nordestino. Afinal, como diz o cancioneiro: “nordestino sem cuscuz perde até o destino”.
|📸 © Pajotar/Pixabay
Rádio Centro Cajazeiras
