|📑 ‘Anistia ainda este ano’: os planos de Flávio Bolsonaro como pré-candidato a presidente

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), anunciou em um post nas redes sociais que já começou as “negociações” rumo à candidatura a presidente da República e confirmou que a meta para as últimas semanas de 2025 é trabalhar pela anistia dos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023.
“O primeiro gesto que eu peço a todas as lideranças políticas que se dizem anti-lula é aprovar a anistia ainda este ano!”, afirmou o senador, em postagem na rede social X, na manhã deste sábado (6).
A convocatória do senador acontece um dia após ele anunciar que Jair Bolsonaro o indicou como substituto para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. O ex-presidente está preso por tentativa de golpe de Estado desde o dia 22 de novembro e, por isso, está impedido de disputar as eleições. A situação abriu uma concorrência entre aliados pelo controle do capital político do ex-presidente.
Em publicação também no X, o senador se manifestou sobre a pré-candidatura. “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”.
Prioridade do senador, a anistia está emperrada no Congresso Nacional. Em setembro, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para votar o PL sobre o tema, mas até aqui a proposta não foi analisada pelos parlamentares.
“Espero não estar sendo radical por querer anistia para inocentes. Temos só duas semanas, vamos unir a direita!”, concluiu o senador, no mesmo post da manhã deste sábado.
Ao anunciar a pré-candidatura nesta sexta-feira, Flávio Bolsonaro criticou o governo Lula, afirmou que o país enfrenta dias difíceis e concluiu dizendo que assume uma missão divina em nome do próprio pai.
“Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão.”
|🔵⚪️ Crise interna acelerou escolha de Flávio Bolsonaro para 2026, avalia cientista político
A decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência em 2026 foi surpreendente menos pelo nome e mais pelo momento do anúncio, avalia o cientista político e professor Paulo Roberto de Souza. Em entrevista ao Brasil de Fato, ele acredita que a escolha “tão cedo” foi influenciada por tensões internas recentes na família e pelo avanço de articulações paralelas dentro do PL. “Ninguém estava esperando propriamente essa indicação tão cedo”, disse.
Para Souza, sucessivas derrotas políticas e o acirramento de disputas por espaço no partido pressionaram o clã a se antecipar. Ele citou especialmente o fortalecimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) dentro da sigla. “O clã Bolsonaro anda muito desconfiado nos últimos tempos pelas sucessivas derrotas que se acentuam principalmente com as manifestações públicas das últimas semanas da própria Michele Bolsonaro. Parece que, paulatinamente, começou-se a se construir uma alternativa a Michelle, não pelo clã Bolsonaro, mas pelo clã PL-Valdemar da Costa Neto [presidente do partido]”, afirmou.
O cientista político também considera que o movimento pode funcionar como um “teste” para medir a receptividade do nome de Flávio na direita. “Flávio, que não é bobo nem nada, prontamente já se apressou e divulgou isso [a decisão do pai], já se colocando de forma inegociável como esse candidato. Mas precisa combinar com os russos”, pontuou. Segundo ele, parte dos aliados da extrema direita e setores do centrão ainda não veem o senador como o nome mais competitivo, e pesquisas nos próximos meses podem pressionar por mudanças.
Souza destaca que o anúncio também busca “estancar a sangria” provocada pelas crises internas. “O anúncio do Flávio é uma ordem do pai, no seu sentido mais freudiano possível. Ele está tentando finalizar essa situação dizendo: é o [deputado] Eduardo, não, é Flávio, e assim será até outubro. Mas até outubro tem muita coisa a acontecer”, avaliou. Com Jair Bolsonaro preso, a dificuldade de articulação direta aumenta a instabilidade, reforça. “Brasília ferve, a extrema direita ferve e muita coisa pode acontecer”, indicou.
O professor avalia ainda que o cenário abre espaço para uma terceira via de centro-direita nas eleições. “As pesquisas indicam que há [espaço]. Eles aparecem ali entre 10% e 15%, a depender do período e da pesquisa”, mencionou, citando nomes como os governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ratinho Júnior (PSD-PR). Para ele, esse movimento pode não ser suficiente para romper a polarização em 2026, mas já mira ganhos eleitorais e políticos para 2030, inclusive na composição do Congresso.
Ao analisar a estratégia eleitoral da família Bolsonaro, Souza vê poucas chances de mudança. “Acho difícil. Acho que a tendência é essa”, apontou, comentando a possibilidade de múltiplas candidaturas bolsonaristas ao Legislativo e a tentativa de manter foro e proteção política.
Ele pondera, porém, que uma vitória de Flávio poderia reconfigurar a situação jurídica de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Pode ter um ambiente em que apenas Michelle, Jair Renan e Carlos [vereadores, filhos de Bolsonaro] mantenham seus foros, mas Eduardo, Flávio e Jair estejam mais vulneráveis a possíveis investigações a diversos de seus crimes. Jair já está preso, mas tem mais crime ainda para ele responder”, alertou.
Por Adele Robichez, Igor Carvalho & Larissa Bohrer, do Brasil de Fato
|💣 Crise no Ceará amplia racha no bolsonarismo e isola Ciro Gomes, avalia cientista político

A crise política no Ceará, após a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), ajudou a acirrar a disputa interna no bolsonarismo e na extrema direita, avaliou o cientista político e professor Paulo Niccoli Ramírez. Em entrevista ao Brasil de Fato, ele destacou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ganhou força ao rejeitar publicamente a aliança.
“Michele observou que não havia nenhuma coerência nesse tipo de aliança, exigindo exatamente aquilo que sempre foi característica do bolsonarismo, que era um perfil não só antissistema, mas também antidemocrático”, afirmou. Segundo o professor, ela saiu como a “mais lúcida nesse episódio todo” e com mais apoio entre os eleitores de extrema direita do que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que condenaram publicamente a atitude.
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
|👉 LEIA TAMBÉM:
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Ramírez avaliou também que o episódio deixou Ciro Gomes ainda mais isolado politicamente. “Nesse imbróglio todo, Ciro Gomes não vai sair do fundo do poço; sai menor ainda e com o nome manchado porque vai ter que carregar essa marca de que cogitou-se o apoio de golpistas à sua candidatura”, analisou. Para o cientista político, a aproximação do pedetista com o PL representa “uma incoerência tremenda”.
O cientista político também relaciona o racha familiar ao enfraquecimento do campo bolsonarista após a prisão do ex-presidente. “Até agora não há nenhum candidato escolhido, nenhum nome decolou”, disse, mencionando as fragilidades dos filhos do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os vereadores Carlos Bolsonaro (PL), do Rio, e Renan Bolsonaro (PL), de Balneário Camboriú.
Diante disso, ele acredita que Michelle desponta como uma alternativa mais viável para a eleição de 2026. “Hoje, parece que passar o bastão para Michele Bolsonaro faz da candidatura dela mais competitiva”, apontou, embora avalie que a misoginia interna da direita dificulte uma união em torno do nome dela.
Por Adele Robichez, Igor Carvalho & Larissa Bohrer, do Brasil de Fato
|📸 © Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Rádio Centro Cajazeiras
