Mundo enfrenta risco crescente de novas pandemias, alerta órgão ligado à OMS 📸© Andrea Piacquadio/Pexels

O Global Preparedness Monitoring Board (GPMB), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS) responsável por monitorar o risco de pandemias, publicou seu relatório de 2026 alertando para o aumento da frequência e da gravidade dos surtos de doenças infecciosas em todo o mundo. Segundo o documento, esse cenário eleva significativamente o risco de novas pandemias.

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado. Com a circulação global de pessoas e mercadorias, aumentam também as oportunidades para a disseminação de doenças. Essa integração amplia a mobilidade dos riscos de transmissão e propagação de enfermidades, inclusive aquelas com potencial para provocar epidemias e pandemias, explica Fernando Aith, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e diretor do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário (Cepedisa/USP).

Fatores que aumentam o risco

A degradação ambiental, o avanço da urbanização e a expansão das cidades sobre áreas naturais intensificam o contato entre seres humanos e animais silvestres, favorecendo o surgimento e a disseminação de doenças infecciosas.

Entre os surtos mais preocupantes registrados recentemente estão os de ebola e hantavírus. Essas doenças podem ser transmitidas por animais silvestres, como morcegos e roedores, respectivamente.

Segundo Aith, outro fator de preocupação é a capacidade de mutação dos vírus. Doenças que antes circulavam apenas entre animais têm adquirido características que facilitam a infecção de seres humanos.

“Cada vez mais observamos mudanças genéticas nesses vírus, favorecendo a transmissão entre animais silvestres e seres humanos”, afirma o pesquisador.

Além dos fatores ambientais, o professor destaca duas características que tornam determinados vírus especialmente perigosos: a facilidade de transmissão e a letalidade.

Preparação e prevenção são fundamentais

Embora o Brasil possua estruturas importantes para responder a emergências sanitárias, como o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o Sistema Único de Saúde (SUS), capazes de identificar rapidamente doenças e seus focos de transmissão, ainda há desafios importantes a serem enfrentados.

Para Aith, um dos principais pontos de atenção é a ausência de uma legislação nacional permanente voltada à resposta a pandemias.

“Durante a pandemia da covid foi criada uma lei temporária. Ela perdeu sua vigência junto com o fim da pandemia, e hoje nós não temos uma legislação nacional organizando o País para uma resposta a pandemias, o que pode nos levar à mesma situação que tivemos durante a pandemia da covid-19”

Segundo o pesquisador, a pandemia representou uma oportunidade de aprendizado sobre a gestão de crises sanitárias. No entanto, ele avalia que o País avançou pouco na adoção de medidas estruturais para fortalecer sua capacidade de resposta diante de futuras emergências de saúde pública.

A pandemia de covid-19 foi um período de aprendizado sobre como lidar com crises de saúde pública, “mas o Brasil se mexeu pouco para fazer a lição de casa e se preparar efetivamente para responder a uma futura emergência de saúde pública”, conclui o pesquisador.

Por Frederico Gomes, sob supervisão de Marcia Avanza, do Jornal da USP

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