🚨💸 “Rota ilegal para os EUA”: PF prende suspeita de liderar esquema milionário de imigração clandestina
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (7) uma mulher suspeita de comandar um dos maiores esquemas de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada há mais de duas décadas, movimentando milhões de reais e articulando viagens clandestinas por rotas internacionais até o território norte-americano.

📸 Crédito: imagem gerada por inteligência artificial (IA) para fins ilustrativos.
A suspeita é Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa em Goiânia durante uma operação da PF contra organizações criminosas especializadas no envio ilegal de brasileiros para os EUA. As autoridades afirmam que os grupos investigados movimentaram cerca de R$ 240 milhões entre os anos de 2018 e 2023. Apenas a organização atribuída a Maria Helena teria movimentado aproximadamente R$ 45 milhões nesse período.
De acordo com a Polícia Federal, os criminosos montavam uma verdadeira estrutura internacional para levar brasileiros ilegalmente até os Estados Unidos. O esquema incluía compra de passagens, contato com os chamados “coiotes” — atravessadores especializados em imigração clandestina —, suporte logístico em outros países e até apoio jurídico caso os imigrantes fossem presos durante o trajeto.
As investigações apontam que cada pessoa pagava, em média, cerca de 20 mil dólares para participar da travessia. Em cinco anos, ao menos 477 brasileiros teriam sido enviados ilegalmente aos Estados Unidos, embora a polícia acredite que o número real seja ainda maior.
Segundo os investigadores, os grupos atuavam de maneira altamente estruturada. Os migrantes saíam do Brasil e passavam por países como México e Panamá antes de tentar entrar em território americano. Havia integrantes responsáveis pela recepção dos viajantes, hospedagem, transporte e movimentação financeira internacional.
A PF também identificou o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para esconder a origem dos recursos obtidos com a atividade criminosa. As apurações revelaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelos investigados.
O caso ganhou repercussão nacional porque Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. A Polícia Federal ressaltou que nem o governador nem sua esposa são investigados na operação. Em nota, Daniel Vilela afirmou que os fatos apurados são antigos e não possuem qualquer relação com ele ou com o governo estadual.
Além da prisão preventiva, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados aos investigados. Outros suspeitos também foram presos. No Amapá, dois investigados que não foram localizados acabaram incluídos na lista de procurados da Interpol.
Os envolvidos podem responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
A operação também reacende o alerta sobre os perigos da imigração clandestina. Muitos brasileiros acabam atraídos por promessas de trabalho e melhores condições de vida nos Estados Unidos, mas enfrentam riscos extremos durante as travessias. Em muitos casos, migrantes ficam abandonados em áreas de deserto, sofrem violência de grupos criminosos ou acabam presos pelas autoridades migratórias.
Especialistas alertam que redes de imigração ilegal frequentemente exploram famílias em situação de vulnerabilidade financeira, cobrando valores altíssimos e oferecendo falsas garantias de entrada no país. Além disso, quem entra ilegalmente pode enfrentar deportação, restrições futuras de visto e graves consequências jurídicas.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas.
Crédito: g1 / Polícia Federal
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras
