Oferta de tratamentos odontológicos caseiros na internet pode esconder perigos para a saúde bucal 📸© Kaboompics/Pexels

Apromessa do sorriso perfeito está a apenas um clique de distância, alimentada pela forte presença de produtos odontológicos nas redes sociais e em marketplaces. De dentes de resina para aplicar em casa a fórmulas caseiras de clareamento, o mercado informal cresce e, com ele, os riscos de procedimentos feitos por quem NÃO tem conhecimento técnico para garantir a sua segurança. Produtos odontológicos que não passaram por avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) representam risco para a saúde bucal. 

Dentes de resina  

Com preços acessíveis e muito procurados por quem busca melhorar a aparência bucal, os dentes de resina são anunciados em diversas formas – em pó, líquido e pasta – para que sejam moldados em casa. Mas ao serem manipulados por pessoas sem conhecimento técnico, essas facetas podem causar problemas na articulação temporomandibular, responsável por movimentos que envolvem abrir e fechar a boca, queimaduras e contaminação com resíduos tóxicos. 

Outra questão preocupante é a possibilidade de alteração da mordida, caracterizada por danos nos tecidos de suporte dos dentes ou na articulação da mandíbula, em razão do encaixe incorreto dos dentes ou da força excessiva ao mastigar. Até o momento, a Anvisa NÃO aprovou nenhum dente de resina que possa ser manipulado por pessoas sem formação profissional para realizar procedimentos dessa natureza.  

Clareadores dentais  

Cremes dentais com até 0,1% de peróxido de hidrogênio são enquadrados como cosméticos e podem ser utilizados pela população. Já clareadores dentais com mais de 0,1% de peróxido de hidrogênio na fórmula e outras substâncias, misturas ou compostos que liberem peróxido de hidrogênio (substâncias comumente utilizadas como clareadores dentais), são considerados dispositivos médicos e devem atender aos requisitos da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Anvisa 923/ 2024

Sejam cosméticos ou dispositivos médicos, os clareadores dentais só podem ser vendidos após sua regularização junto à Anvisa. Isso significa que mesmo que existam produtos clareadores aprovados para o uso em casa, sob supervisão de profissional odontólogo, eles precisam passar por aprovação da Agência.

Vale esclarecer que os produtos destinados a clareamento dental com mais de 3% de peróxido de hidrogênio estão sujeitos à prescrição por profissional habilitado, mediante receita simples, e sua entrega só pode ser realizada com a apresentação da receita. Na embalagem desses clareadores dentais deve constar, obrigatoriamente, em tarja vermelha e em destaque, a expressão: “Venda Sob Prescrição”.

Todos os clareadores dentais enquadrados como dispositivos médicos devem trazer na rotulagem a informação sobre a concentração exata de peróxido de hidrogênio, seja ele o ingrediente principal ou liberado pela mistura de outros componentes.

Riscos

O uso indevido de clareadores dentais com concentrações superiores a 0,1% de peróxido de hidrogênio pode trazer uma série de riscos à saúde bucal.

  • Concentração de até 3%: frequente em cremes dentais clareadores, fitas ou géis suaves de uso doméstico. O problema mais comum é a sensibilidade dentária, que pode causar desconforto significativo ao consumir alimentos ou bebidas quentes e frias, e irritação leve da gengiva;
  • Concentração acima de 3%: quando usados indevidamente, podem provocar sensibilidade dentária intensa, irritação ou queimadura na gengiva e alteração da superfície do esmalte, que pode deixar os dentes mais suscetíveis a cáries. Além disso, há o risco de perda de tecido da raiz dental, que podem resultar em dor intensa e na necessidade de tratamento. 

Dicas  

Produtos regularizados para usos em odontologia devem exibir nas embalagens o número de notificação ou registro junto à Anvisa. 

|📸© Fernando Frazão/ABr