Infográfico jornalístico, com um mapa detalhado do Brasil destacando os impactos do clima nas lavouras por região 📸© Rádio Centro Cajazeiras

O clima registrado durante o mês de julho trouxe resultados distintos para a agricultura brasileira. Enquanto o tempo seco favoreceu o desenvolvimento das lavouras e acelerou a colheita de importantes culturas em diversas regiões, o excesso de chuvas no Sul e a falta de umidade em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste acenderam o alerta para possíveis prejuízos no campo.

As informações constam no mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha semanalmente as condições climáticas e seus reflexos sobre a produção agrícola nacional.

Segundo a diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, Nayara Andrioli Bittencourt, entre os dias 1º e 21 de julho os maiores volumes de chuva ficaram concentrados em parte das regiões Norte e Sul, além do Leste e Nordeste do país. Nas demais áreas predominou o tempo firme, cenário considerado positivo para diversas culturas.

A ausência de chuvas favoreceu principalmente a maturação e a colheita do algodão e do milho da segunda safra, permitindo maior avanço das atividades no campo.

Nordeste sofre com falta de água

Em sentido oposto, o Nordeste enfrentou redução da umidade do solo durante o período analisado.

A escassez de água afetou principalmente áreas cultivadas com feijão e milho da terceira safra, culturas que dependem de boas condições de umidade para manter o desenvolvimento adequado.

Sul tem benefício para lavouras de inverno, mas enfrenta riscos

Apesar de a umidade ter contribuído para o desenvolvimento das lavouras de inverno na Região Sul, as chuvas mais intensas registradas no Rio Grande do Sul trouxeram preocupação.

De acordo com a Conab, os temporais podem ter provocado danos localizados por enxurradas, alagamentos e também pela lixiviação de nutrientes — processo em que o excesso de água remove nutrientes do solo, reduzindo sua fertilidade e comprometendo o desenvolvimento das plantas.

Centro-Oeste e Sudeste tiveram cenário favorável

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o tempo seco foi considerado positivo para o algodão e o milho, facilitando tanto o desenvolvimento das plantas quanto o avanço da colheita.

A exceção foi o Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas apresentaram comportamento diferente em relação às demais áreas da região.

Já o trigo acabou sendo prejudicado pelo predomínio do tempo firme, que reduziu as condições ideais para o desenvolvimento das lavouras.

Satélites ajudam no monitoramento

Além das informações coletadas em campo, a Conab utiliza imagens de satélite para acompanhar o comportamento das lavouras em todo o Brasil.

Os chamados índices de vegetação permitem medir o vigor das plantas e comparar o desenvolvimento das culturas ao longo do tempo, auxiliando na identificação antecipada de problemas e no acompanhamento da evolução das safras.

O levantamento reforça que os efeitos do clima sobre a agricultura brasileira continuam variando de acordo com a região e a cultura cultivada, exigindo monitoramento constante para avaliar os impactos sobre a produção nacional.

|📸© Melissa Mayes/Pexels