|📳🐯 Operação mira esquema de bets que teria movimentado mais de R$ 5 bi; PB está entre os alvos


O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram, nesta sexta-feira (28/08), a Operação Jogo de Sombras, que investiga suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas à exploração de apostas esportivas de quota fixa, as chamadas bets.
A Paraíba está entre os estados envolvidos na operação. Por determinação judicial, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Também foram determinadas medidas para apreensão de bens e valores.
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF) e reúne 10 procuradores da República, policiais do Ministério Público Federal e peritos da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea). A Receita Federal participa com 28 servidores, entre auditores-fiscais e analistas-tributários.
Grupo de bets teria movimentado mais de R$ 5 bilhões
Segundo os investigadores, o alvo da operação é um grupo empresarial responsável pela exploração de uma plataforma de apostas esportivas que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025.
As suspeitas envolvem operações realizadas tanto antes quanto depois da regulamentação do mercado de apostas de quota fixa no Brasil.
De acordo com os elementos reunidos durante a investigação, os envolvidos teriam criado uma empresa de fachada em Curaçao, no Caribe, com o objetivo de aparentar que a operação da plataforma ocorria no exterior antes da regulamentação do setor.
As apurações, entretanto, apontam que empresas brasileiras ligadas ao grupo seriam responsáveis pela efetiva operação da plataforma em território nacional.
Dinheiro teria circulado entre Brasil e exterior
A investigação também identificou indícios de utilização de instituições de pagamento e operações financeiras estruturadas para transferir recursos entre o Brasil e o exterior.
Segundo o MPF, parte do dinheiro teria retornado posteriormente ao país por meio de pagamentos classificados como prestação de serviços. A hipótese investigada é de que esse mecanismo poderia ter sido utilizado para dar aparência regular à repatriação de valores anteriormente enviados para fora do Brasil.
Outro ponto sob investigação é a possível utilização de “contas bolsão” mantidas em fintechs, que poderiam dificultar o rastreamento da movimentação financeira e a identificação dos beneficiários finais.
Suspeita de operação antes da regulamentação
Embora o grupo investigado tenha conseguido autorização para atuar no mercado de apostas a partir de 2025, os investigadores apontam indícios de que a exploração da atividade já ocorreria anteriormente em território brasileiro, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos que seriam devidos.
As autoridades também procuram esclarecer se os recursos utilizados para o pagamento da outorga necessária à operação regular das bets teriam origem em atividades desenvolvidas antes da regulamentação.
Investigação também alcança período após regulamentação
As suspeitas não se limitam ao período anterior à regulamentação do mercado.
Segundo as investigações, estruturas financeiras que já eram utilizadas anteriormente teriam sido adaptadas para continuar possibilitando, em tese, mecanismos de sonegação fiscal mesmo após a entrada em vigor do novo marco regulatório.
Entre os fatos investigados está a possível declaração ao Fisco de despesas fictícias, que poderiam ter provocado redução indevida dos tributos devidos a partir do ano-calendário de 2025.
Operação mira setor que movimenta bilhões
A Operação Jogo de Sombras representa mais uma ação conjunta do MPF e da Receita Federal contra possíveis irregularidades financeiras e tributárias no mercado de apostas esportivas.
Em 13 de agosto, os dois órgãos já haviam participado da Operação Arena, que cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e envolveu decisão judicial para apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão.
Na nova operação, as autoridades pretendem aprofundar a análise dos fluxos financeiros nacionais e internacionais, da origem dos recursos, de possíveis receitas omitidas e da identificação dos beneficiários efetivos das operações.
As medidas adotadas nesta sexta-feira ainda fazem parte da investigação, e eventuais responsabilidades criminais e tributárias deverão ser definidas a partir da análise das provas reunidas pelos órgãos responsáveis.
|📸© MPF/Divulgação
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