Flávio Dino determinou que PF investigue ataques a imagens religiosas 📸© José Cruz/Agência Brasil

“Se reabrir, todos morrem”. Era assim que começava o cartaz colado em uma loja de artigos religiosos católicos no centro de Fortaleza na noite em que o lugar foi alvo de um atentado com coquetel molotov.

O ataque aconteceu na madrugada de 9 de setembro. Naquela mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos e um da Umbanda também tiveram as fachadas incendiadas na capital cearense.

Os atentados estão sendo investigados pela polícia civil do estado, mas no dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, usou as redes sociais para classificar o que aconteceu.

 “Nós vivemos num país onde devemos entender que o país é laico. Ou seja: não tem uma religião oficial. Não é ateu, porque há muitas religiões, há muitas expressões de fé. E isso que aconteceu aqui em Fortaleza, e que acontece no Brasil afora, se chama crime de intolerância religiosa.”

Os ataques em Fortaleza estão longe de serem os únicos contra símbolos católicos. Um dia antes, em Londrina, no Paraná, a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida que ficava em frente a uma loja de artigos religiosos foi arrancada. Dois dias depois, em Salvador, o alvo foi a imagem de Nossa Senhora das Graças que foi quebrada. No dia, 22, também em Salvador, a imagem da primeira santa brasileira, a Santa Dulce dos Pobres, foi destruída.

Todos esses são casos de intolerância que aconteceram antes da discussão sobre o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora da Aparecida entrar na disputa eleitoral.

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Segundo os dados do Disque 100,  só no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, foram registradas 1.252 denúncias com pelo menos uma violação relacionada à liberdade de crença ou intolerância religiosa.

Mas os católicos não são os principais alvos. Os praticantes do Candomblé e da Umbanda são historicamente as principais vítimas da intolerância religiosa, segundo o censo do IBGE, apesar de representarem cerca de 1% da população brasileira.

Entre janeiro e junho de 2026 foram registradas 270 denúncias ao Disque 100, um aumento de mais de 40% comparado com o mesmo período de 2025, quando foram 192 denúncias.

Entre os católicos as denúncias também cresceram no primeiro semestre comparado com o mesmo período do ano passado. Os registros passaram de 15 para 34, crescimento superior a 100%.

Durante a Semana Nacional de Combate á Intolerância Religiosa, que aconteceu em janeiro no Rio de Janeiro, Rudelmar Faria,  Secretário-Geral da ACT Alliance (Action by Churches Together), uma coligação mundial de igrejas e organizações baseadas na fé que atua em 140 países, falou que a exclusão pela religião tem sido uma estratégia política não só no Brasil

“Nós estamos num momento global que é a religião é instrumentalizada, instrumentalizada para excluir, porque as religiões hoje, esse movimento da confluência de fundamentalismos, eles buscam justamente excluir grupos. E são grupos que não são cristãos, brancos, ricos, e mais do que a sua própria igreja financeiramente, apoiar um grupo de políticos que tem o poder para tomar decisões e criar leis que são excludentes (…) Com processos de exclusão, principalmente com mulheres, com a população LGBTI+, com os povos indígenas, com jovens… principalmente negro de favelas. É isso, é o que existe não só aqui no Brasil, na América Latina, na América Central…”

Mas só pra lembrar: intolerância religiosa é crime. O defensor público do Ceará Igor Barreto explica qual a punição prevista para quem comete esse tipo de agressão.

“Punições que partem de um ano e podem chegar a cinco. Algumas têm planas de dois a cinco. Mas o mais importante talvez seja ressaltar o fato de que esses crimes são todos insuscitíveis de fiança, de indulto, são crimes imprescritíveis, dizer, eles podem ser processados a qualquer momento”

Na última quarta-feira (30) O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) investigue uma aparente disseminação de ataques a imagens religiosas católicas pelo país.

As informações são de Eliane Gonçalves e Márcia Vieira, da Agência Brasil

|📸© Reprodução/Paroquiajcr via Redes sociais

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