Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 📸© Molly Riley via Fotos Publicas

Um grupo de deputados federais alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Washington desde quinta-feira (4) para apresentar a parlamentares estadunidenses documentos e informações que contestam as justificativas utilizadas pela administração dos Estados Unidos para impor tarifas contra produtos brasileiros.

A comitiva foi formada por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Avante-MG), Pedro Uczai (PT-SC) e Pedro Campos (PSB-PE). Segundo os parlamentares, o objetivo foi apresentar aos congressistas estadunidenses dados que demonstram a relação comercial favorável aos Estados Unidos, contrapondo narrativas que vêm sendo difundidas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Os Estados Unidos também precisam conhecer o outro lado”, afirmou Pedro Campos ao Brasil de Fato. De acordo com o deputado pernambucano, a missão buscou ampliar o diálogo com integrantes do Partido Democrata e construir uma contraposição à atuação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que têm intensificado contatos com setores do Partido Republicano.

O líder do governo Lula disse que “é importante que as provas sejam apresentadas” e que o ambiente se torne “conhecedor” da relação comercial entre Brasil e EUA. Durante a visita a Washington, entre as agendas, os parlamentares brasileiros se reuniram com a congressista democrata Sydney Kamlager-Dove. Segundo Pedro Campos, a deputada se comprometeu a solicitar uma investigação sobre as denúncias relacionadas ao Banco Master e ao envio de recursos ao exterior, supostamente destinados à produção do filme “Dark Horse”, que trata da vida de Jair Bolsonaro.

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

|👉 LEIA TAMBÉM:

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e à ofensiva de aliados do bolsonarismo junto a setores conservadores estadunidenses. Para os deputados governistas, a aproximação com parlamentares democratas é uma forma de apresentar informações que, segundo eles, têm sido omitidas do debate e defender os interesses econômicos brasileiros diante das medidas tarifárias adotadas por Washington.

‘Tariflávio’

Washington DC 26052026- Senador Flávio Bolsonaro PL pré candidato a presidencia da Republica se encontra com Trump na Casa Branca; reunião foi breve 📸© RS/Via Fotos Publicas

O governo de Donald Trump anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de que essas economias falharam em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A decisão foi tomada logo após visita do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A medida foi proposta após uma investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e pode ampliar a pressão comercial sobre produtos brasileiros, que já são alvo de uma proposta de taxação de 25%, anunciada na segunda-feira (1º). Essa última tarifa foi proposta após o USTR concluir que políticas e práticas do Brasil seriam “irrazoáveis” e restringiriam o comércio estadunidense. Entre os pontos citados estão questões relacionadas ao comércio digital e ao desmatamento ilegal. Ainda não se sabe, no entanto, se as taxas são cumulativas. 

Sobre a nova tarifa de 12,5%, a investigação foi aberta em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo estadunidense, os países analisados não adotam mecanismos suficientes para impedir o trabalho forçado e a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outras partes do mundo. Portanto, a justificativa não está centrada somente na produção doméstica dessas economias, mas também na fiscalização de produtos importados que entram em seus mercados.

As informações são de Isegun Oliveira, do Brasil de Fato

|📸© Alan Santos/PR