|⛽️ Alta do petróleo faz governo ampliar fiscalização e apertar o cerco a postos e distribuidoras


O Governo Federal anunciou nesta segunda-feira (28) uma série de medidas para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis diante da elevação da cotação internacional do petróleo. Segundo o governo, o barril vem sendo negociado acima dos US$ 100, em meio ao prolongamento dos conflitos no Oriente Médio.
As ações envolvem a manutenção da subvenção ao óleo diesel, novas fiscalizações em postos e distribuidoras e o aumento das punições para empresas que praticarem determinadas condutas consideradas abusivas no mercado de combustíveis.
Entre as medidas está a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, além da intensificação das operações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Governo mantém subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel
O Ministério da Fazenda editou na última sexta-feira (25) a Portaria nº 2.946/2026, mantendo em R$ 2,12 por litro a subvenção concedida ao óleo diesel.
A medida passa a ser integralmente amparada pela Medida Provisória nº 1.391, após o encerramento da vigência da MP nº 1.363.
De acordo com o Governo Federal, a política faz parte das medidas adotadas desde o início do conflito no Oriente Médio para reduzir os impactos da volatilidade dos preços internacionais sobre o mercado brasileiro.
A estratégia deverá continuar sendo ajustada de acordo com a evolução do cenário internacional e do comportamento das cotações do petróleo e dos combustíveis.
Operação Carga Pesada realizou 241 fiscalizações
Outra frente anunciada pelo governo é a Operação Carga Pesada, mobilização nacional que reúne órgãos federais e Procons de todo o país.
Entre os dias 21 e 25 de setembro, foram realizadas 241 ações de fiscalização em agentes do mercado de combustíveis.
O objetivo é verificar possíveis aumentos injustificados das margens de lucro e outras irregularidades na formação dos preços.
As ações foram distribuídas da seguinte forma:
- 87 fiscalizações realizadas pela ANP;
- 86 ações dos Procons;
- 12 ações da Senacon;
- 30 ações conjuntas da ANP com Procons;
- 26 ações conjuntas da ANP com a Senacon.
A operação foi realizada após uma reunião emergencial da Senacon com mais de 140 representantes de Procons.
Segundo o governo, a mobilização levou em consideração a elevação recente dos preços, dados obtidos em fiscalizações anteriores e aproximadamente 330 denúncias recebidas pela ANP.
Senacon abre 70 processos contra postos e distribuidoras
A ofensiva também resultou na abertura de 70 processos administrativos sancionadores pela Senacon contra postos e distribuidoras de combustíveis.
Os processos foram instaurados a partir de autos encaminhados anteriormente pela ANP.
A intenção é apurar possíveis práticas abusivas e verificar se houve justificativa para aumentos registrados na cadeia de comercialização.
ANP aplica mais de R$ 700 milhões em multas
Em outra frente de fiscalização, a ANP determinou multas que somam mais de R$ 700 milhões contra distribuidoras de combustíveis por elevação considerada abusiva de preços.
As penalidades são resultado de fiscalizações realizadas anteriormente e de decisões de primeira instância administrativa relacionadas a autos de infração lavrados pelas equipes da agência.
As empresas ainda podem apresentar recursos contra as decisões.
Os processos envolvem condutas registradas durante a vigência das Medidas Provisórias nº 1.340 e nº 1.349, que concederam à ANP atribuição para fiscalizar possíveis aumentos abusivos dos preços dos combustíveis.
Segundo as decisões de primeira instância já proferidas, houve caracterização de elevação abusiva em determinados casos. Em algumas situações, a margem bruta das distribuidoras teria aumentado em mais de 1.350%.
Multas podem chegar a R$ 500 milhões
O Governo Federal também anunciou o endurecimento das punições para determinadas práticas consideradas abusivas no setor.
A Medida Provisória nº 1.393, publicada na sexta-feira (25), alterou dispositivos do Código de Defesa do Consumidor para estabelecer multas específicas para infrações cometidas por agentes da cadeia de combustíveis.
Entre as condutas alcançadas está a elevação sem justa causa do preço de produtos.
Pelas novas regras, a multa administrativa poderá variar entre R$ 20 mil e R$ 500 milhões, dependendo da infração.
Nessas situações específicas, não será aplicado o limite geral de multa previsto no Código de Defesa do Consumidor.
A mudança aumenta significativamente o potencial de punição para empresas que forem responsabilizadas administrativamente por práticas enquadradas na nova legislação.
Governo afirma que abastecimento de diesel está garantido
Apesar da pressão internacional sobre os preços, o Governo Federal afirma que o abastecimento de diesel no Brasil está garantido.
Para outubro, a demanda estimada é de aproximadamente 3,950 milhões de metros cúbicos, enquanto a oferta confirmada chega a 3,978 milhões de metros cúbicos.
O país possui ainda estoques estimados em 1,970 milhão de metros cúbicos de diesel, volume apontado pelo governo como suficiente para aproximadamente 15 dias de consumo.
A diferença entre oferta confirmada e demanda estimada é considerada pelo governo como um dos indicadores de segurança do abastecimento para o próximo mês.
Governo monitora mercado internacional
Desde março, uma mesa coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) reúne representantes de órgãos públicos e do setor privado para acompanhar a situação do mercado de combustíveis.
As reuniões ocorrem semanalmente e monitoram o cenário internacional, os fluxos de importação e a distribuição de combustíveis no país.
O acompanhamento trabalha com horizonte de aproximadamente dois meses e tem como objetivo identificar antecipadamente possíveis riscos de abastecimento.
Pressão internacional aumenta desafio para o mercado brasileiro
As novas medidas ocorrem em um cenário de forte pressão sobre o mercado internacional de petróleo. Com o barril acima dos US$ 100, oscilações na cotação podem aumentar os custos de importação e pressionar os preços praticados na cadeia nacional.
Diante desse cenário, o Governo Federal aposta em três frentes: redução do impacto sobre o diesel por meio da subvenção, fiscalização da formação dos preços e aumento das punições para práticas consideradas abusivas.
Ao mesmo tempo, os dados apresentados pelo governo indicam que, neste momento, há oferta de diesel suficiente para atender a demanda projetada para outubro.
|📸© Valter Campanato/ABr
Rádio Centro Cajazeiras
