Coremas, no Sertão, onde há maior risco de ocorrência de eventos associados a inundações 📸 © Marcelo de Oliveira Moura/Ascom-UFPB

Apesar de o interior da Paraíba ser conhecido pelo seu clima seco, é no município de Coremas, no Sertão, onde há maior risco de ocorrência de eventos associados a inundações.

De acordo com pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a suscetibilidade tem relação com o fato de Coremas abrigar o maior reservatório de água do estado, o Açude Coremas-Mãe D’Água.

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“Sem dúvida, a presença de um corpo d’água significativo em áreas com declividades suaves ou suavemente onduladas também contribui para tal”, explica a professora Camila Cunico.

O litoral paraibano, região mais úmida do território estadual, é a que contém a maior porcentagem de municípios (31%) com Índice de Risco de Desastres de Inundações (IRDI) muito alto. O município com o menor IRDI, ou seja, menos suscetível a catástrofes por inundações é Areial, localizado no Agreste.

Essas e outras deduções foram publicadas no ‘Atlas de Riscos, Vulnerabilidades e Desastres Ambientais do Estado da Paraíba’, lançado em março deste ano pela editora Sertão Cult.

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Estiagem

Com relação ao Índice de Risco de Desastres Climáticos (IRDC), a pesquisa aponta que São José de Espinharas, no Sertão, é o município que tem o maior índice de desastre climático relacionado a secas. Esta região, juntamente com o Cariri/Curimataú, reúne também a maior quantidade de localidades na pior situação. Em cada uma destas regiões, há apenas um município classificado como de médio risco, estando todos os demais nas categorias alta ou muito alta.

“Essas regiões estão inseridas no Semiárido, cuja condição natural apresenta maior susceptibilidade climática às anomalias negativas da precipitação, ou seja, concentra os volumes de chuva em poucos meses, ampliando a quantidade de dias secos consecutivos. Levando-se em conta a série histórica de dados trabalhados, o Cariri, por exemplo, apresenta em média 133 dias consecutivos sem chuva, mais que o dobro do Litoral, cuja média é de 60 dias. Essa condição físico-natural associada às condições de elevada vulnerabilidade social proporcionam um elevado IRDC”, esclarece Camila.

São José de Espinharas é o município que tem o maior índice de desastre relacionado a secas 📸 © Marcelo de Oliveira Moura/Ascom-UFPB

Na outra ponta, João Pessoa e outros municípios litorâneos do Estado, como Cabedelo, Bayeux, Caaporã, Santa Rita, Lucena e Alhandra apresentam risco muito baixo de catástrofes relacionadas à seca.

Para a docente Camila Cunico, a obtenção dos números pelo estudo pode auxiliar o poder público na gestão de riscos e também em ações de resiliência. “Acreditamos que os produtos gerados no Atlas são, portanto, insumos que poderão auxiliar na gestão destas ameaças e na ampliação da cultura de redução desses riscos por meio de ações que possam ser desenvolvidas por setores da sociedade civil e pelos governos municipais e estaduais”, conclui.

O estudo

A construção do Atlas, que está disponível para ser baixado gratuitamente, foi coordenada e organizada pelos professores Camila Cunico, Daisy Beserra Lucena e Marcelo de Oliveira Moura, que compõem o Grupo de Estudo e Pesquisa em Geografia Física e Dinâmicas Socioambientais (Geofisa) e o Laboratório de Climatologia Geográfica (Climageo), ambos vinculados ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) da UFPB.

A pesquisa teve início em fevereiro de 2019, após aprovação do projeto em uma chamada Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) realizada no ano anterior. O projeto também contou com o apoio da Agência Executiva de Gestão de Águas do Estado da Paraíba (Aesa), por meio da indicação de uma meteorologista com conhecimento específico sobre as temáticas envolvidas.

Na equipe responsável pelo levantamento dos dados para a construção do Atlas, colaboraram também professores, cientistas e alunos da Universidade Estadual (Uneal) e Federal de Alagoas (Ufal), da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Universidade do Vale do Acaraú (UVA) e do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).

Um dos principais produtos do estudo foi o cálculo de dois índices para cada um dos 223 municípios paraibanos: o Índice de Risco de Desastres de Inundações (IRDI) e o Índice de Risco de Desastres Climáticos (IRDC).

Para a apuração do primeiro índice, o IRDI, em cada município foram levados em consideração a topografia dos municípios estudados, a quantidade de eventos extremos, os desastres hidrometeorológicos e a vulnerabilidade social. Já o segundo índice, o IRDC, foi obtido por meio da quantidade de dias secos consecutivos, de desastres climáticos oficialmente registrados e a vulnerabilidade social.

No estudo, chama-se de vulnerabilidade social um conjunto temático de variáveis que expressam características socioeconômicas, demográficas e de infraestrutura. Os pesquisadores salientam que os dados relativos a essas variáveis foram consultados no Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a disponibilidade futura dos novos dados do censo demográfico, realizado em 2022 e que tem previsão de ser divulgado no primeiro semestre deste ano, é possível que os índices sofram alterações.

📸 © Ilustrativa/Marcos Vicentti/Ag. AC

Rádio Centro Cajazeiras

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