🚨💻 PF revela estrutura de hackers, policiais e intimidações ligada ao dono do Banco Master
A investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novos capítulos explosivos após detalhes inéditos revelados pela Polícia Federal apontarem a existência de uma verdadeira estrutura clandestina usada para monitorar adversários, atacar jornalistas, acessar sistemas ilegalmente e promover intimidações físicas.

📸 Crédito da imagem: Pexels / Tima Miroshnichenko
Segundo documentos obtidos pela PF e divulgados inicialmente pelo Fantástico, o esquema funcionava como uma organização dividida em dois braços: um núcleo digital, conhecido como “Os Meninos”, responsável por invasões e ataques cibernéticos, e outro chamado “A Turma”, formado por policiais, milicianos, bicheiros e operadores encarregados de ameaças presenciais, vigilância e ações de intimidação.
As investigações fazem parte do escândalo que já levou Daniel Vorcaro à prisão preventiva em Brasília. A Polícia Federal suspeita que o esquema completo possa envolver fraudes bilionárias que chegariam a cerca de R$ 12 bilhões.
De acordo com os investigadores, o grupo utilizava desde inteligência artificial até falsificação de documentos públicos para executar operações clandestinas contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses do banqueiro.
Um dos episódios que mais chamou atenção foi a tentativa de monitorar e hackear o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
Mensagens obtidas pela PF mostram conversas atribuídas a Daniel Vorcaro e ao operador Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”.
Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro teria escrito:
“Preciso hackear esse Lauro.”
A resposta veio logo em seguida:
“Vou mandar fazer isto. Já pedi aos meninos para fazer isto, mandar no email.”
Depois, o operador pergunta:
“Quer que tome o cel dele?”
As mensagens ainda indicam que o grupo tentou atrair o jornalista usando um falso contato profissional pelo WhatsApp. O plano seria marcar uma conversa fingindo ser um repórter para enviar um link malicioso capaz de invadir o aparelho celular da vítima.
A Polícia Federal afirma que a tentativa não avançou, mas considera o episódio extremamente grave por envolver perseguição direta contra um jornalista profissional.
O caso aumentou ainda mais a preocupação sobre ataques digitais contra a imprensa no Brasil, principalmente em um momento em que especialistas alertam para o crescimento do uso de espionagem privada, softwares clandestinos e monitoramento ilegal envolvendo grupos empresariais e políticos.
Outro trecho da investigação mostra como o grupo teria usado documentos falsificados para manipular plataformas digitais.
Segundo a PF, hackers ligados ao esquema criaram um falso ofício usando o nome do Ministério Público do Ceará para derrubar um perfil falso que utilizava o nome da então noiva de Daniel Vorcaro.
O documento teria sido enviado usando um e-mail institucional verdadeiro e continha assinatura de uma servidora pública. A rede social acreditou na autenticidade do pedido e removeu o perfil em menos de 24 horas.
Os investigadores ainda apuram se houve participação interna ou se o sistema foi invadido pelos hackers.
As investigações também apontam que o braço físico da organização atuava com forte intimidação armada.
Relatos colhidos pela PF descrevem abordagens feitas por grupos de homens vestidos de preto, usando coturnos e comportamento paramilitar.
O ex-capitão de um iate ligado a Vorcaro afirmou que foi procurado por sete homens em uma marina de Angra dos Reis. Depois, teria recebido ameaças telefônicas de um homem identificado como Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela investigação como bicheiro.
Outro ex-funcionário ligado ao banqueiro contou ter sido cercado dentro de um hotel por homens que afirmavam agir em nome de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal também revelou detalhes sobre o núcleo hacker da organização.
Um dos principais nomes investigados é Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai após operação conjunta envolvendo Interpol, autoridades brasileiras e polícia dos Emirados Árabes.
Segundo a investigação, ele trabalhava no desenvolvimento de softwares usados pelo grupo e recebia pagamentos mensais além de bônus extras.
Já David Henrique Alves, de apenas 23 anos, é apontado como chefe do setor digital da organização e estaria foragido.
No dia da prisão de Vorcaro, ele foi parado pela Polícia Rodoviária Federal transportando computadores e notebooks considerados estratégicos para a investigação.
O caso também trouxe novamente o Banco Master para o centro das discussões econômicas e políticas do país.
Nos últimos anos, a instituição vinha crescendo rapidamente no mercado financeiro e se tornando conhecida por operações agressivas de crédito, aquisição de ativos problemáticos e investimentos de alto risco.
Especialistas afirmam que o escândalo pode provocar impactos reputacionais severos no banco e gerar novos desdobramentos no sistema financeiro brasileiro.
A repercussão política também aumentou porque a investigação cita possíveis acessos indevidos a sistemas públicos e envolvimento de policiais da ativa e aposentados.
Nos bastidores de Brasília, o caso já é tratado como uma das investigações mais delicadas dos últimos anos por misturar poder econômico, espionagem digital, influência política e possíveis organizações clandestinas de intimidação.
As defesas dos citados negam irregularidades.
Os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que não irão comentar o caso neste momento.
Já a defesa de Henrique Vorcaro declarou que os pagamentos mencionados pela PF se referem apenas a serviços legítimos de segurança e negociações imobiliárias.
Enquanto isso, a Polícia Federal continua analisando computadores, mensagens, movimentações financeiras e contratos ligados ao grupo.
Investigadores não descartam novas prisões e acreditam que o esquema pode ter ramificações ainda maiores do que as reveladas até agora.
Crédito: g1, Fantástico, Polícia Federal, O Globo
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras
