🚨🦂 Brasil registra 45 mil acidentes com animais peçonhentos; veja como se proteger
O Brasil registrou, apenas nos quatro primeiros meses deste ano, cerca de 45 mil acidentes envolvendo animais peçonhentos, com 96 mortes confirmadas. Os dados fazem parte do painel epidemiológico do Ministério da Saúde e acendem um alerta importante: esse tipo de ocorrência continua sendo um problema relevante de saúde pública, especialmente em regiões urbanas.

📸 Imagem: Sharath G. / Pexels (imagem gratuita)
Animais peçonhentos são aqueles capazes de produzir e inocular veneno, como cobras, escorpiões, aranhas, abelhas e até algumas lagartas. Por conta do clima tropical e da grande biodiversidade, o Brasil reúne diversas espécies com potencial de risco. Entre as mais conhecidas estão serpentes como jararaca, cascavel e surucucu, além de escorpiões, aranhas como a armadeira e a viúva-negra, e a perigosa lagarta do gênero Lonomia.
Apesar da associação comum com áreas rurais, a maioria dos acidentes hoje acontece dentro das cidades. Segundo especialistas, mais de 60% dos casos são registrados em ambientes urbanos, principalmente por causa da adaptação desses animais a locais com lixo acumulado, entulho, esgoto aberto e presença de insetos — que servem de alimento.
O coordenador de Vigilância de Zoonoses, Francisco Edilson, explica que há variações conforme o tipo de animal. Acidentes com serpentes ainda são mais comuns no campo, enquanto escorpiões e aranhas predominam nas cidades. O crescimento desordenado das áreas urbanas e a falta de saneamento contribuem diretamente para esse cenário.
Diante de um acidente, o comportamento da vítima pode fazer toda a diferença. A médica Cristina Vigorito, do Instituto Butantan, orienta que o primeiro passo é se afastar do animal imediatamente e evitar qualquer tentativa de captura. Em seguida, o local da picada deve ser lavado apenas com água e sabão.
Medidas antigas e populares, como fazer torniquetes, cortar a pele ou tentar sugar o veneno, não devem ser realizadas. Além de não ajudarem, essas práticas podem agravar o quadro e aumentar o risco de complicações. O mais importante é procurar atendimento médico o mais rápido possível.
Se for seguro, tirar uma foto do animal pode ajudar os profissionais de saúde a identificar a espécie e aplicar o soro adequado com mais precisão. No entanto, especialistas reforçam que não há necessidade de capturar ou matar o animal, evitando novos acidentes.
O atendimento especializado também está disponível por telefone. O CIATox oferece orientação 24 horas por meio do número 0800-644-6774, auxiliando tanto profissionais de saúde quanto a população.
Além da resposta rápida em caso de acidente, a prevenção é fundamental para reduzir os riscos. Manter a casa e o quintal limpos, evitar acúmulo de entulho, vedar ralos, frestas e buracos em paredes, além de sacudir roupas e calçados antes de usá-los, são medidas simples que fazem diferença no dia a dia.
Outro ponto pouco conhecido, mas bastante útil, é o papel de alguns animais no controle natural dessas pragas. As Lagartixa, por exemplo, são aliadas importantes dentro de casa. Apesar do preconceito que muitas pessoas ainda têm, elas são inofensivas para os seres humanos e ajudam a reduzir a presença de insetos, aranhas e até escorpiões, que fazem parte de sua alimentação.
Eliminar lagartixas pode, inclusive, favorecer o aumento de pragas mais perigosas. Por isso, especialistas recomendam não matar esses animais, já que eles atuam como um tipo de “controle biológico natural”, contribuindo para um ambiente mais seguro.
O aumento dos casos reforça a necessidade de atenção redobrada, especialmente em períodos mais quentes e chuvosos, quando esses animais tendem a aparecer com mais frequência. Informação, prevenção e ação rápida continuam sendo as principais armas para evitar tragédias e proteger a população.
Crédito: Redação Rádio Centro (com informações da Radioagência Nacional / Agência Brasil)
