|🚻 Tratamento da incontinência urinária recupera autoestima e alivia ansiedade e depressão


Incontinência urinária, eis um assunto bem conhecido pelas pessoas da terceira idade, justamente as que mais sofrem com esse problema, bastante frequente quando envelhecemos. De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Urologia, a condição atinge cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens acima dos 40 anos. O problema se caracteriza pela perda involuntária da urina pela uretra e, apesar de atingir sobretudo os mais velhos, não deve ser visto como uma consequência normal do envelhecimento, mas como algo a ser investigado, de acordo com o médico Egídio Dorea, coordenador do Programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.
Ele divide a incontinência urinária em quatro tipos principais: incontinência de esforço (perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou ao praticar alguma atividade física); incontinência de urgência, também conhecida como bexiga hiperativa (vontade súbita e intensa de urinar, mal dando tempo de se chegar ao banheiro); incontinência mista (une os sintomas de esforço e urgência); e incontinência por transbordamento ou funcional (associada ao esvaziamento incompleto da bexiga ou a dificuldades gerais de mobilidade do idoso). Independentemente dessa classificação, o fato é que essa disfunção, além do impacto físico, dá origem a consequências emocionais e sociais. Ela pode gerar vergonha, baixa autoestima, ansiedade e depressão. O convívio social é severamente afetado, de vez que o idoso passa a evitar reuniões familiares e atividades fora de casa por medo de sofrer constrangimentos.
Dorea diz ainda que podem ocorrer prejuízos na qualidade do sono por conta da noctúria (despertar constante à noite para urinar) e um aumento real no risco de quedas, infecções urinárias e lesões na pele. No final da história, o que era uma questão biológica acaba se transformando num isolamento social preocupante.
Tratamento e controle
Para o surgimento desse quadro contribuem as mudanças anatômicas geradas pelo avançar da idade, pois, com o envelhecimento, surgem o enfraquecimento natural dos músculos do assoalho pélvico e a redução da capacidade de armazenamento da bexiga. No caso das mulheres, a queda hormonal pós-menopausa pode agravar a situação. Outras questões prejudiciais envolvem a redução da mobilidade física, o uso de determinados medicamentos e a presença de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas neurológicos e problemas de próstata nos homens. Apesar de tudo isso, a boa notícia é que a incontinência urinária pode ser controlada. Basta seguir a receita preconizada por Dórea, que inclui o diagnóstico precoce realizado pelo geriatra, urologista ou pelo ginecologista, o qual abre portas para tratamentos eficazes.
“Geralmente começamos pelas abordagens conservadoras e não medicamentosas, que trazem ótimos resultados: os famosos exercícios de Kegel para fortalecer o assoalho pélvico, fisioterapia, treinamento da bexiga, controle na ingestão de líquidos e a redução de substâncias irritantes, como a cafeína e o álcool. Para casos específicos, existem medicamentos direcionados, técnicas cirúrgicas modernas e menos invasivas, além de suportes práticos, como absorventes para proteger a pele”, diz ele. Tratar a incontinência urinária é um ato de respeito com a autonomia, a dignidade e o bem-estar.
As informações são do Jornal da USP
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