Muita gente ainda se assusta quando vê uma Lagartixa correndo pela parede ou um sapo aparecendo no quintal durante a noite. Em muitas casas, esses animais ainda são vistos com medo, nojo ou desconfiança — resultado de antigos mitos populares que atravessaram gerações. Mas a verdade é que tanto as lagartixas, conhecidas em várias regiões como “bribas”, quanto os sapos são importantes aliados naturais no combate às pragas urbanas.

📸 Foto: MART PRODUCTION / Pexels (imagem gratuita)

E o mais importante: eles praticamente não oferecem risco aos seres humanos.

As lagartixas são pequenos répteis totalmente inofensivos. Elas não atacam pessoas, não transmitem doenças pelo simples contato e vivem justamente onde existe comida disponível para elas: insetos. Mosquitos, pernilongos, moscas, baratas pequenas, traças, aranhas e até escorpiões jovens fazem parte da alimentação desses animais.

Na prática, ter uma lagartixa em casa significa contar com um verdadeiro “controle biológico natural” funcionando silenciosamente durante a noite.

O mesmo acontece com os sapos. Apesar da aparência que muitas pessoas consideram desagradável, eles desempenham um papel fundamental no equilíbrio ambiental. Sapos consomem enormes quantidades de insetos, ajudando a controlar populações de mosquitos, besouros, baratas e outras pragas que podem causar doenças ou prejuízos.

Em tempos de aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya, esses animais ganham ainda mais importância.

Muitos dos preconceitos contra lagartixas e sapos surgiram por crenças antigas sem base científica. Durante muito tempo, espalhou-se a ideia de que lagartixas seriam venenosas ou perigosas, algo que não é verdade. Elas não possuem veneno e evitam contato com humanos.

Com os sapos, o medo normalmente está ligado à substância produzida pela pele de algumas espécies. Embora alguns sapos liberem secreções como mecanismo de defesa, isso geralmente só representa perigo para animais que tentam mordê-los, como cães e gatos. Para humanos, o simples fato de ver ou tocar um sapo não representa ameaça grave — bastando lavar as mãos normalmente depois.

Outro erro comum é matar esses animais por achar que eles “trazem sujeira”. Na realidade, eles aparecem justamente em locais onde existem insetos e desequilíbrio ambiental. Quando lagartixas e sapos desaparecem, muitas vezes o número de pragas aumenta.

Especialistas em meio ambiente destacam que eliminar predadores naturais pode gerar um efeito contrário ao desejado. Sem esses animais, há mais espaço para proliferação de insetos e aracnídeos potencialmente perigosos.

Além disso, tanto sapos quanto lagartixas fazem parte do equilíbrio ecológico das cidades. Mesmo em áreas urbanas, eles ajudam a manter cadeias naturais funcionando. São animais discretos, que preferem fugir a atacar e que convivem com os humanos há décadas.

A recomendação é simples: em vez de matar, o ideal é respeitar. Caso o animal apareça em local inadequado, o melhor é apenas conduzi-lo para fora com cuidado, sem violência.

Em um momento em que o uso excessivo de venenos e inseticidas preocupa especialistas por impactos na saúde e no meio ambiente, a natureza continua oferecendo soluções gratuitas e eficientes.

Aquela “briba” na parede e o sapo no quintal podem parecer simples visitantes indesejados. Mas, na prática, são pequenos aliados trabalhando silenciosamente para deixar o ambiente mais equilibrado — e até mais seguro.

Crédito: Redação Rádio Centro