🔥⛩️ Incêndio destrói templo da “chama eterna” no Japão e abala símbolo sagrado com mais de 1.200 anos
Um incêndio devastador destruiu nesta semana o Salão Reikado, estrutura histórica ligada ao Templo Daishoin, na ilha sagrada de Miyajima, no oeste do Japão. O local era conhecido mundialmente por abrigar uma das chamas mais simbólicas do país: o chamado “fogo eterno”, que, segundo a tradição budista japonesa, queimava continuamente desde o ano 806.

📸 Foto: Reprodução feita por inteligência artificial
As imagens do incêndio impressionaram moradores e turistas. Vídeos registrados no local mostram o templo completamente tomado pelas chamas enquanto bombeiros tentavam conter o fogo em uma área cercada por vegetação montanhosa. Apesar da destruição quase total da estrutura, autoridades japonesas confirmaram que ninguém ficou ferido.
O episódio ganhou enorme repercussão no Japão não apenas pela destruição de um patrimônio religioso, mas pelo significado espiritual e histórico da chama preservada dentro do salão.
Segundo autoridades locais e veículos japoneses, a principal hipótese investigada é que o próprio fogo sagrado possa ter provocado o incêndio. Ainda assim, monges e equipes de emergência conseguiram preservar a chama antes do colapso completo da estrutura, transferindo-a para um local seguro.
O incêndio ocorreu no Monte Misen, área considerada sagrada há séculos no budismo japonês. O templo Daishoin, fundado em 806 pelo monge Kobo Daishi — também conhecido como Kukai, uma das figuras religiosas mais importantes da história japonesa — é um dos centros espirituais mais famosos da ilha de Miyajima, próxima a Hiroshima.
A chama eterna, conhecida no Japão como “Kiezu no Hi” (“fogo que nunca se apaga”), era mantida acesa há mais de 12 séculos como símbolo de oração, purificação espiritual e continuidade da vida.
Para muitos japoneses, ela representa resistência diante do sofrimento e da destruição. O simbolismo ficou ainda mais forte depois da Segunda Guerra Mundial, quando parte dessa chama foi usada para acender a Chama da Paz no Parque Memorial de Hiroshima, monumento dedicado às vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em 1945.
A ligação entre o templo e Hiroshima transformou o fogo em um dos símbolos espirituais mais conhecidos do Japão moderno. A chama passou a representar não apenas fé religiosa, mas também esperança, memória histórica e desejo de paz mundial.
Mesmo após o incêndio, monges do templo afirmaram que a chama original continua viva.
Especialistas japoneses destacam que preservar esse fogo possui um valor cultural gigantesco. No Japão, tradições religiosas ligadas ao fogo têm importância profunda dentro do budismo esotérico Shingon, corrente fundada justamente por Kukai. Cerimônias envolvendo fogo simbolizam purificação, renovação espiritual e proteção contra tragédias.
O Templo Daishoin também é conhecido internacionalmente por seus rituais de caminhada sobre brasas, realizados há séculos no Monte Misen. Todos os anos, monges e visitantes participam de cerimônias em que caminham descalços sobre carvão em brasa como forma de oração por saúde, proteção e boa sorte.
O incêndio reacendeu discussões no Japão sobre os riscos enfrentados por patrimônios históricos construídos majoritariamente em madeira, característica comum em templos tradicionais japoneses. Muitas dessas construções atravessaram guerras, terremotos e incêndios ao longo dos séculos, exigindo constantes reconstruções e restaurações.
Curiosamente, esta não é a primeira tragédia envolvendo o Salão Reikado. Registros locais apontam que o prédio já havia sido destruído anteriormente por outro incêndio no passado, sendo posteriormente reconstruído.
Mesmo destruído novamente, líderes religiosos afirmam que o significado espiritual do local permanece intacto justamente porque a chama sagrada sobreviveu.
Nas redes sociais japonesas, milhares de pessoas lamentaram o ocorrido. Muitos internautas classificaram o incêndio como “uma perda emocional para o país”, enquanto outros destacaram o fato de a chama continuar acesa como um símbolo poderoso de resistência.
Miyajima é considerada uma das regiões mais sagradas do Japão e recebe milhões de visitantes todos os anos. A ilha abriga templos históricos, trilhas espirituais e o famoso torii flutuante de Itsukushima, um dos cartões-postais mais conhecidos do país.
Agora, autoridades japonesas trabalham para investigar oficialmente as causas do incêndio enquanto monges estudam como preservar temporariamente a chama eterna até que um novo espaço sagrado seja reconstruído.
Fonte: CNN, Reuters, mídia japonesa, Miyajima Tourist Association e autoridades locais do Japão
Adaptação e redação: Rádio Centro
