|🇧🇷🙏😇Após 24 anos sem título, brasileiros dividem esperança e ceticismo na corrida pelo hexa


Já se vão 24 anos desde o último título do Brasil em Copas do Mundo, igualando o jejum entre os mundiais de 70 e 94. Ainda assim, contra tudo e contra todos, há os torcedores que continuam acreditando no exorcismo dos fantasmas que assombram a conquista do hexa.

A atual fase da Seleção não inspira otimismo. O ciclo do Brasil até a Copa foi conturbado, com quatro trocas de treinador, polêmicas na presidência da CBF, eliminação precoce na Copa América de 2024 e o pior desempenho de sua história nas Eliminatórias Sul-Americanas. No Mundial, um futebol que levanta críticas e reacende a pergunta: “O que leva o torcedor a acreditar na conquista do título?”.
Alguns torcedores buscam referências em outros momentos de baixa da Canarinha que terminaram com finais felizes em mundiais. Um exemplo é a seleção de 94, que obteve a classificação na última rodada das eliminatórias e chegou desacreditada aos mesmos Estados Unidos que hoje sediam a Copa. O jornalista esportivo Rafael Marques relembra sua reação com a conquista do tetra:
“Um dos momentos mais marcantes como torcedor de Copa do Mundo que eu vivi, que foi o título de 94. Eu tinha 16 anos. Na época, a gente via todos os jogos da Copa do Mundo, e aí as pessoas vinham assistir jogos com a gente. E, na final, quando o Roberto Baggio bateu o pênalti que ele isolou, eu dei três voltas no quarteirão gritando, agarrado na bandeira nacional. E, quando eu voltei, bebi de uma só vez uma garrafa inteira de cerveja e deitei no chão da rua onde eu morava, tinha uma igreja, e eu fiquei na porta da igreja cantando o Hino Nacional em cima da bandeira.”
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Mas nem tudo é festa. Outras seleções brasileiras chegaram favoritas ao Mundial, mas acabaram frustrando os torcedores, como em 1982, na Espanha. O escritor e pesquisador de futebol Marcelo Abinader descreve o choque que a eliminação precoce causou em milhões de brasileiros:
“Brasil e Itália, Copa de 1982. A rua era uma festa, todo mundo cantando, gritando, buzinando, soltando fogos, e toda vez que acabava um jogo, a gente ia para a rua, ia para beber cerveja, para comemorar a vitória. Essa era uma rotina que a gente já estava acreditando que fosse acontecer até a final. Quando a Itália faz 3 a 2 no Brasil e o juiz acaba, a rua estava completamente em silêncio, você não ouvia um pássaro na rua. Eu, meu pai e meu irmão ficamos parados, hipnotizados, olhando para a televisão pelo menos um minuto, sem falar nenhuma palavra.”
Seja feliz ou triste, todas as memórias compartilham a mesma paixão, que, às vezes, se escora no sobrenatural. Quando a bola rola, somos capazes de assistir ao jogo com as mesmas pessoas, usando as mesmas roupas, posicionados exatamente no mesmo lugar em que saiu aquele gol salvador, conectados aos amuletos da sorte, que podem abalar até os mais céticos.
“Estava vendo o jogo na minha televisão e em cima da televisão tinha um bonequinho, um bonequinho de futebol. Aí a moça que estava fazendo a faxina lá em casa falou assim: ‘Aquele bonequinho ali é pra dar sorte?’. Aí eu falei para ela: ‘Claro que não. Você acha que um bonequinho em cima da minha televisão vai alterar o resultado do jogo que está acontecendo lá no Maracanã? É lógico que não. Mas faz favor, não tira o bonequinho dali não, que nós estamos ganhando’”, conta Marcelo Abinader.
Para Rafael Marques, essa crença é algo estimulado e não parte da iniciativa da maioria dos torcedores, principalmente os que estão acompanhando os jogos da Seleção, já que os resultados falam por si. Para o jornalista, o peso da camisa é fator chave:
“Não há nada além disso. O craque da Seleção Brasileira, que é o Vinícius Júnior, é um sujeito que divide opiniões, e tem muitas contestações internas, dentro da Seleção Brasileira, não no ambiente dos jogadores, no ambiente da torcida brasileira. Então, por si só, isso já mostra o quanto que a referência técnica… não vou nem citar o Neymar, porque é um jogador que a gente nem sabe se vai jogar, se vai entrar em campo na Copa do Mundo, a verdade é essa. Então, talvez o que ainda possa estar motivando as pessoas a acharem possível o hexacampeonato é o peso da camisa.”
A esperança e o ceticismo entrarão em campo novamente contra a Escócia, às 19h desta quarta-feira (24), na última rodada da fase de grupos. Um jogo que decidirá os rumos de um Brasil que – seja por fé, superstição ou frieza dos dados – segue acreditando que, após 24 anos, colocará a sexta estrela no peito.
As informações são de João Barbosa, da Agência Brasil
|📸© Rafael Ribeiro/CBF via Fotos Publicas
Rádio Centro Cajazeiras
