|🏍 Gigantes do delivery apostam no interior brasileiro para ampliar mercado e disputar novos clientes


A disputa entre as plataformas de delivery no Brasil está entrando em uma nova fase. Depois de concentrar boa parte da concorrência nos grandes centros urbanos, as empresas começam a avançar sobre cidades menores, em uma estratégia que promete ampliar o mercado de entregas, aumentar a competição por clientes e criar novas oportunidades para restaurantes e comerciantes locais.
No início de outubro, a Keeta anunciou planos para começar a operar em 21 novas cidades até o fim deste ano. Ao mesmo tempo, o Magalu Delivery passou a apostar em municípios de pequeno e médio porte, reunindo aplicativos regionais em uma estratégia voltada a mercados ainda menos disputados pelas grandes plataformas.
O movimento ocorre em um cenário de mudanças na concorrência do setor, que também inclui uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no início de outubro, contrária às cláusulas de banimento adotadas pela 99Food.
Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a expansão das plataformas para o interior é positiva, pois amplia as alternativas para os consumidores e estimula a competição por qualidade dos serviços, tecnologia e condições comerciais.
“Mais plataformas disputando o mesmo mercado significa mais alternativas para o consumidor e mais poder de negociação para o restaurante, que deixa de depender de um único canal de vendas”, afirma Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel.
Segundo ele, em cidades onde a oferta de delivery ainda é limitada, a chegada de novos aplicativos pode representar uma oportunidade de ampliar o faturamento dos estabelecimentos locais.
Concorrência aumenta disputa por clientes
Atualmente, iFood, 99Food e Keeta operam simultaneamente apenas na Grande São Paulo e na Baixada Santista. Nessas regiões, as empresas investem em divulgação e campanhas promocionais para conquistar consumidores e ampliar sua participação no mercado.
Para os restaurantes, a presença de mais plataformas pode reduzir a dependência de um único canal de vendas e permitir o acesso a diferentes públicos.
Felipe Fassina, sócio do Vila Tolentino, em Santos (SP), avalia que trabalhar com mais de um aplicativo amplia as possibilidades de descoberta da marca pelos consumidores e cria novas oportunidades comerciais.
O empresário, entretanto, ressalta que o aumento do número de pedidos não significa necessariamente maior lucratividade. Os estabelecimentos precisam considerar despesas com ingredientes, embalagens, mão de obra e outros custos operacionais para avaliar o resultado de cada plataforma.
“O grande desafio é encontrar o equilíbrio entre volume, margem e capacidade operacional. Não adianta receber muitos pedidos se isso comprometer a qualidade dos produtos. Nossa prioridade precisa ser crescer com rentabilidade, e não apenas vender mais”, explica Fassina.
Promoções exigem mudanças na estrutura dos restaurantes
A intensificação das campanhas promocionais também pode provocar mudanças na rotina dos estabelecimentos. No Vila Tolentino, a disputa por clientes por meio de cupons levou a adaptações na equipe e na estrutura da cozinha para atender ao crescimento da demanda.
Segundo Fassina, uma funcionária que recebia os clientes na entrada do salão passou a trabalhar na expedição dos pedidos, enquanto um garçom foi deslocado para auxiliar na produção das pizzas. O restaurante também adquiriu um novo forno e realizou alterações físicas na cozinha.
O caso mostra que o avanço das plataformas pode abrir oportunidades de venda, mas também exige planejamento para absorver o aumento dos pedidos sem comprometer a qualidade dos produtos e o resultado financeiro.
Por isso, a avaliação das condições comerciais, das taxas e da rentabilidade de cada canal de venda tende a ganhar importância para os restaurantes que pretendem atuar em diferentes aplicativos.
Keeta prepara expansão para novas cidades
A Keeta anunciou que pretende iniciar operações em 21 novas cidades até o fim de 2026. Entre os municípios citados estão Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso; Toledo e Guarapuava, no Paraná; Araçatuba, em São Paulo; Patos de Minas e Governador Valadares, em Minas Gerais; e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
A expansão sinaliza a intenção da empresa de alcançar mercados além dos grandes centros urbanos e disputar espaço em cidades onde a concorrência entre plataformas ainda é menos intensa.
A chegada de novos aplicativos pode ampliar as alternativas disponíveis para restaurantes e consumidores, mas os efeitos dependerão das condições de operação em cada município, da adesão dos estabelecimentos e da capacidade das empresas de conquistar usuários.
Magalu aposta em aplicativos regionais
O interior também entrou na estratégia do Magalu. No início de setembro, a empresa lançou o Magalu Delivery, aplicativo que reúne o aiqfome e outras oito plataformas regionais de entrega.
O foco está em municípios com população entre 15 mil e 200 mil habitantes, faixa em que a presença das grandes empresas de delivery é menos disseminada. Segundo as informações divulgadas sobre a iniciativa, os aplicativos reunidos estão presentes em mais de mil cidades e somam 70 mil parceiros, entre restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.
A primeira etapa do projeto contempla cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
Ao reunir operações regionais, o Magalu busca aproveitar a presença de aplicativos que já atuam nesses mercados e ampliar a oferta de serviços de entrega fora dos principais centros urbanos.
Interior vira nova frente de crescimento
A expansão da Keeta e do Magalu reforça uma mudança na estratégia das empresas de delivery no Brasil. Além de disputar consumidores em mercados consolidados, as plataformas passam a buscar espaço em municípios onde restaurantes e comerciantes podem ter menos alternativas para vender por aplicativos.
Para os consumidores, a ampliação da concorrência pode significar mais opções de estabelecimentos, promoções e serviços. Para os restaurantes, a presença de diferentes plataformas pode aumentar o alcance comercial e fortalecer a capacidade de negociação.
Os resultados, porém, não são automáticos. A rentabilidade dependerá das condições oferecidas por cada aplicativo, dos custos de operação e da capacidade dos estabelecimentos de atender à demanda.
Com a entrada em novos municípios, a disputa pelo delivery deixa de ser apenas uma batalha por espaço nas grandes cidades e passa a envolver também a conquista de mercados regionais, onde a proximidade com os comerciantes e o conhecimento dos hábitos locais podem ter papel importante na competição.
|📸© IVANILDO CARVALHO/Rádio Centro Cajazeiras
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