O escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo explosivo e colocou novamente o nome do senador Flávio Bolsonaro no centro das discussões políticas nacionais. Depois do vazamento de mensagens, áudios e revelações sobre encontros reservados entre os dois, a crise passou a misturar política, investigações da Polícia Federal, suspeitas de espionagem ilegal e até operações envolvendo hackers e policiais investigados.

📸 Crédito da imagem: Kindel Media / Pexels (imagem gratuita)

Nos bastidores de Brasília, o caso já é tratado como uma das situações mais delicadas envolvendo aliados próximos do bolsonarismo desde o avanço da Operação Compliance Zero, que apura um gigantesco esquema financeiro ligado ao antigo Banco Master.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro confirmou publicamente que visitou Daniel Vorcaro após a primeira prisão do empresário, ocorrida no fim de 2025. Segundo o senador, o encontro aconteceu quando o ex-banqueiro já utilizava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar São Paulo.

A revelação veio após novos vazamentos publicados pelo portal Intercept Brasil e repercutidos por CNN Brasil, Metrópoles e outros grandes veículos nacionais.

Segundo as mensagens divulgadas, Flávio Bolsonaro teria pedido apoio financeiro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo vazado aumentou ainda mais a pressão política sobre o senador, principalmente porque o nome de Vorcaro já estava associado a investigações bilionárias envolvendo fraudes financeiras, monitoramento ilegal e uma suposta estrutura clandestina de espionagem.

Ao comentar o caso, Flávio afirmou que os contatos tiveram exclusivamente relação com o projeto audiovisual e negou qualquer envolvimento com as atividades criminosas investigadas pela Polícia Federal.

Mesmo assim, a repercussão foi imediata.

O motivo é que Daniel Vorcaro deixou de ser apenas um empresário investigado por crimes financeiros. Nas últimas semanas, documentos da Polícia Federal revelaram detalhes de uma estrutura considerada extremamente sofisticada e perigosa.

Segundo os investigadores, o grupo ligado ao ex-banqueiro teria usado hackers profissionais, policiais da ativa, ex-agentes de segurança, milicianos e operadores clandestinos para monitorar adversários, intimidar jornalistas e realizar invasões digitais.

A investigação aponta que existiam dois braços operacionais conhecidos internamente como “Os Meninos” e “A Turma”.

“Os Meninos” seriam responsáveis pelas operações digitais, incluindo ataques hackers, monitoramento eletrônico e tentativas de obtenção ilegal de dados sigilosos.

Já “A Turma” atuaria presencialmente em ações de intimidação física, ameaças e vigilância de alvos considerados inimigos do grupo.

Um dos episódios que mais chocaram investigadores envolve mensagens atribuídas ao chamado “Sicário”, apontado como operador do esquema.

Em uma conversa obtida pela PF, aparece a frase:

“Preciso hackear esse Lauro.”

A mensagem teria sido enviada em referência ao jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, que vinha publicando reportagens sobre Vorcaro e o Banco Master.

Na sequência, o interlocutor responde:

“Vou mandar fazer isto. Já pedi aos meninos para fazer isto. Mandar no email. Quer que tome o cel dele?”

Segundo a Polícia Federal, o grupo chegou a planejar um falso contato jornalístico via WhatsApp para enviar links maliciosos ao jornalista e tentar invadir seu aparelho celular.

As investigações também apontam suspeitas de falsificação de documentos públicos, criação de perfis falsos, invasões digitais e uso irregular de sistemas governamentais.

Em outro trecho do inquérito, a PF afirma que integrantes do esquema discutiam maneiras de intimidar fisicamente adversários.

O caso ganhou dimensão ainda maior porque investigadores suspeitam que parte das operações envolvia acesso privilegiado a informações sigilosas e possíveis conexões políticas e empresariais de alto nível.

A primeira prisão de Daniel Vorcaro aconteceu em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Poucos dias depois, ele foi liberado com medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de contato com outros investigados.

Desde então, novos desdobramentos surgiram quase semanalmente.

A Polícia Federal estima que as fraudes financeiras investigadas podem ultrapassar R$ 12 bilhões. O inquérito também apura suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de inteligência artificial para manipulação documental e movimentações financeiras consideradas atípicas.

Enquanto isso, aliados de Flávio Bolsonaro tentam minimizar os danos políticos causados pelos vazamentos.

Nos bastidores do Congresso, porém, parlamentares de oposição defendem ampliação das investigações e cobram esclarecimentos mais profundos sobre a relação entre o senador e o ex-banqueiro.

Já integrantes do PL afirmam que Flávio não possui qualquer ligação com os crimes investigados e que o contato com Vorcaro ocorreu exclusivamente por causa do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, o caso segue provocando enorme repercussão nas redes sociais e ampliando a crise política em torno do escândalo do Banco Master.

A expectativa agora gira em torno dos próximos relatórios da Polícia Federal e da possível abertura de novas frentes de investigação envolvendo conexões políticas, empresariais e operacionais do esquema.

Crédito: CNN Brasil, g1, Fantástico, Intercept Brasil, Metrópoles, Polícia Federal
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras