|🏥 Fiocruz identifica aumento em estados do Nordeste dos casos graves de doenças respiratórias


O cenário nacional de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta tendência de queda, mas a situação ainda exige atenção em diferentes regiões do país. De acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, seis estados registraram, nas últimas duas semanas, incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com sinais de crescimento.
Entre os estados que apresentam aumento estão Maranhão e Sergipe, no Nordeste, além de Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande do Sul.
A atualização, divulgada nesta quinta-feira (17), considera a Semana Epidemiológica 36, correspondente ao período de 6 a 12 de setembro de 2026. No conjunto do país, a tendência de curto prazo apresenta oscilação, enquanto a tendência de longo prazo indica estabilização.
Crianças concentram aumento dos casos
Segundo o boletim, o aumento dos casos de SRAG no Brasil está concentrado principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e tem relação predominante com o rinovírus.
No Rio Grande do Sul, o metapneumovírus também aparece como um dos responsáveis pelo crescimento observado.
O levantamento destaca ainda a participação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), rinovírus e metapneumovírus entre as principais causas de mortalidade por vírus respiratórios em crianças pequenas.
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Fiocruz reforça importância da vacinação
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do Boletim InfoGripe, reforça que a queda nacional dos casos graves não significa que a população de maior risco deva abandonar os cuidados.
A recomendação é verificar se a vacinação está atualizada, especialmente entre os grupos prioritários.
De acordo com as orientações destacadas no boletim, idosos e pessoas imunocomprometidas devem receber doses de reforço contra a Covid-19 a cada seis meses, enquanto os demais grupos prioritários devem seguir o esquema anual de reforço. Para gestantes, a recomendação destacada é a vacinação contra o VSR a partir da 28ª semana de gestação.
VSR apresenta sinais de queda
O boletim indica que o período de sazonalidade do VSR já terminou ou que os casos graves associados ao vírus estão em declínio.
Mesmo assim, alguns estados ainda apresentam níveis baixos de incidência, entre eles Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em relação à Covid-19, foi identificado um leve aumento de casos graves em São Paulo. Nas demais unidades da Federação, os registros de SRAG associados ao coronavírus permanecem em níveis baixos.
Belém e Florianópolis também estão em alerta
Entre as capitais brasileiras, Belém (PA) e Florianópolis (SC) apresentaram nível de atividade de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento até a Semana Epidemiológica 36.
A Fiocruz recomenda cuidados adicionais nos locais onde os casos ainda apresentam crescimento, como evitar contato próximo com pessoas que estejam com sintomas respiratórios, lavar as mãos frequentemente e manter a chamada etiqueta respiratória.
Pessoas com sintomas de gripe ou resfriado devem, quando possível, permanecer em casa. Quando a saída for necessária, a recomendação é utilizar uma boa máscara.
Rinovírus lidera entre os casos positivos recentes
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas, o rinovírus respondeu por 52,4% dos casos positivos de vírus respiratórios.
Na sequência aparecem:
- VSR: 22,2%
- Influenza B: 5,9%
- Influenza A: 3,9%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 2,8%
Ao longo de 2026, foram notificados 151.165 casos de SRAG no país. Desse total, 81.572 (54%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.
Entre os casos positivos registrados neste ano, o VSR aparece com 41,1%, seguido pelo rinovírus (31,4%), influenza A (17%), influenza B (5,5%) e Sars-CoV-2 (3,8%).
Mais de 6,6 mil mortes por SRAG em 2026
O levantamento contabiliza ainda 6.663 óbitos por SRAG em 2026. Desses, 3.112 (46,7%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.
Entre as mortes com identificação de vírus no ano, a influenza A representa 35,4%, seguida pelo rinovírus (22,9%), VSR (16,2%), Sars-CoV-2 (14%) e influenza B (9,3%).
Nas últimas quatro semanas, considerando os óbitos com resultado positivo para vírus respiratórios, o rinovírus representou 28,9%, o VSR 26,8%, a influenza B 14,8%, a influenza A 12% e a Covid-19 5,6%.
Os dados também mostram diferenças importantes entre as faixas etárias. A incidência de SRAG é mais elevada entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade apresenta maior impacto entre pessoas com 65 anos ou mais.
Nordeste permanece no radar
Embora o cenário geral brasileiro indique redução dos casos graves, a presença de Maranhão e Sergipe entre os estados com sinais de crescimento mantém o Nordeste no radar epidemiológico do InfoGripe.
A orientação da Fiocruz é que a população, principalmente os grupos mais vulneráveis, mantenha a vacinação em dia e adote medidas de prevenção diante de sintomas ou contato com pessoas com infecções respiratórias.
|📸© Cristine Rochol/PMPA
Rádio Centro Cajazeiras
