🏙️📉 Quais as melhores e piores cidades para viver no Brasil em 2026 ? — e desigualdade impressiona
Um novo levantamento sobre qualidade de vida no Brasil reacendeu um debate importante: afinal, quais cidades realmente oferecem uma vida melhor para a população?
O estudo divulgado pelo Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026) analisou os 5.570 municípios brasileiros e mostrou um retrato que mistura desenvolvimento, desigualdade e abandono em diferentes regiões do país.

📸 Crédito da imagem: Rommell Viana / pexels (imagem gratuita)
Pelo terceiro ano consecutivo, a pequena cidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, apareceu no topo do ranking nacional como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil. Já Uiramutã, em Roraima, ficou na última posição.
Mas o levantamento vai muito além de números. Ele ajuda a entender por que algumas cidades conseguem oferecer segurança, saúde, educação e qualidade ambiental, enquanto outras enfrentam problemas graves de infraestrutura, pobreza e exclusão social.
Diferente de rankings econômicos que medem apenas dinheiro e riqueza, o IPS tenta descobrir se a população realmente sente os efeitos do desenvolvimento no dia a dia.
Ou seja: não adianta uma cidade arrecadar muito se o cidadão continua sem saneamento, segurança, educação de qualidade ou acesso básico à saúde.
Em Gavião Peixoto, por exemplo, especialistas apontam que o município conseguiu crescer mantendo organização urbana, baixos índices de violência, boa estrutura de saúde e educação e maior equilíbrio social. A cidade também possui forte presença industrial e boa arrecadação proporcional ao número pequeno de habitantes.
Outro destaque do ranking foi Curitiba, considerada a capital brasileira com melhor qualidade de vida em 2026. A cidade aparece frequentemente entre as melhores do país por fatores como planejamento urbano, áreas verdes, transporte público organizado e indicadores ambientais acima da média nacional.
Segundo os pesquisadores do IPS, Curitiba se destaca porque consegue manter desempenho relativamente equilibrado em várias áreas ao mesmo tempo, como educação, meio ambiente, acesso à informação e serviços básicos.
Mesmo assim, o estudo mostra que nem as cidades mais bem avaliadas estão livres de problemas. Em Curitiba, por exemplo, o crescimento da população em situação de rua e desafios ligados à inclusão social já começam a preocupar especialistas.
Na outra ponta do ranking, a situação encontrada em algumas cidades do Norte e Nordeste acendeu um alerta ainda maior.
Uiramutã, em Roraima, que apareceu na última colocação, enfrenta dificuldades históricas ligadas ao isolamento geográfico, falta de infraestrutura básica, ausência de saneamento e dificuldade de acesso a serviços públicos essenciais.
Em várias cidades mal avaliadas, problemas como estradas precárias, baixa cobertura de saúde, pobreza extrema, dificuldade de acesso à educação e falta de investimentos continuam impactando diretamente a vida da população.
O levantamento também chamou atenção para um dado curioso: muitas cidades da Amazônia Legal tiveram desempenho ruim até mesmo nos indicadores ambientais.
Segundo os responsáveis pelo estudo, isso acontece porque o índice leva em conta fatores como desmatamento, queimadas, emissões de gases poluentes e destruição da vegetação nativa — problemas que cresceram nos últimos anos em várias regiões amazônicas.
Entre as capitais brasileiras, Curitiba liderou o ranking, seguida por Brasília e São Paulo. Já cidades como Porto Velho e Macapá ficaram entre as piores colocadas entre as capitais.
O estudo também reforça como o Brasil continua dividido regionalmente. A maior parte das cidades com melhor qualidade de vida está concentrada no Sul e Sudeste, enquanto os piores resultados aparecem principalmente no Norte e Nordeste.
Especialistas afirmam que isso revela desigualdades históricas relacionadas à distribuição de investimentos, infraestrutura, educação e acesso a oportunidades.
Outro ponto que chamou atenção foi a queda nos indicadores ligados à inclusão social. O estudo aponta aumento das dificuldades envolvendo população em situação de rua, violência contra minorias e baixa representatividade política em várias regiões do país.
Ao mesmo tempo, houve melhora no acesso à internet e à comunicação, impulsionada pelo avanço da tecnologia e da conectividade nos municípios brasileiros.
Mesmo com pequenos avanços, os pesquisadores afirmam que o progresso do Brasil ainda é lento e desigual.
A conclusão do levantamento é clara: qualidade de vida não depende apenas de dinheiro circulando na economia. Depende principalmente de como esse desenvolvimento chega — ou não chega — até a vida real das pessoas.
Crédito: g1, IPS Brasil, Imazon, IBGE
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras
