Nem sempre estar dentro do peso considerado normal significa estar saudável. Especialistas alertam para uma condição conhecida como “obesidade de peso normal”, em que a pessoa apresenta índice de massa corporal (IMC) adequado, mas possui excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal. Esse tipo de gordura, chamada de visceral, se acumula entre os órgãos e está diretamente associada ao aumento do risco de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

📸 Imagem: Los Muertos Crew / Pexels (imagem gratuita)

De acordo com médicos, esse quadro costuma passar despercebido justamente porque o peso corporal não levanta suspeitas. No entanto, a distribuição da gordura e a composição corporal são fatores mais determinantes para a saúde do que o número mostrado na balança. Quando a gordura se infiltra em órgãos como o fígado, por exemplo, pode provocar esteatose hepática, condição que inicialmente não apresenta sintomas, mas que pode evoluir para complicações mais graves, como inflamação, fibrose, cirrose e até câncer.

O risco para o coração também não depende apenas do peso. Fatores como colesterol elevado, pressão alta, sedentarismo, estresse, má qualidade do sono, tabagismo e consumo de álcool contribuem para o aumento da inflamação no organismo e elevam as chances de eventos como infarto e AVC. Em alguns casos, pessoas magras podem ter risco semelhante ao de indivíduos com obesidade, especialmente quando há acúmulo de gordura visceral e resistência à insulina.

Outro ponto de atenção é o nível de atividade física. Uma pessoa com peso normal, mas sedentária, pode apresentar uma saúde metabólica pior do que alguém acima do peso que mantém uma rotina ativa. A capacidade de realizar exercícios e o condicionamento físico são considerados fatores importantes na prevenção de doenças cardiovasculares.

Para identificar esse tipo de risco, a avaliação médica vai além do IMC. Medidas como a circunferência abdominal ajudam a indicar possível acúmulo de gordura interna. Exames de sangue, que analisam níveis de glicose, colesterol e triglicérides, também são fundamentais. Em alguns casos, exames mais detalhados, como análise de composição corporal e exames de imagem, podem ser necessários para verificar a presença de gordura no fígado ou em outras regiões.

Sinais como perda de força muscular, cansaço frequente e dificuldade para realizar atividades simples também devem ser observados, pois podem indicar redução da massa magra, condição que agrava os riscos à saúde. Esse conjunto de fatores reforça que a avaliação deve ser completa e individualizada.

Especialistas destacam que não há uma única causa para esse quadro. Fatores genéticos podem influenciar, mas o estilo de vida tem papel decisivo. Alimentação rica em produtos ultraprocessados, excesso de açúcar e gordura, sedentarismo e estresse estão entre os principais elementos que contribuem para o desenvolvimento desse desequilíbrio, mesmo sem ganho de peso aparente.

Apesar dos riscos, o quadro pode ser revertido com mudanças no estilo de vida. A recomendação é focar na melhora da composição corporal, com redução da gordura visceral e aumento da massa muscular. Isso pode ser alcançado por meio da prática regular de exercícios, especialmente os de força, aliados a uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes. Em situações específicas, pode haver indicação de medicamentos, mas as mudanças de hábitos continuam sendo a principal estratégia para melhorar a saúde.

Crédito: Estadão
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras