A forma como diferentes países lidam com a alimentação da população foi tema de uma reportagem exibida no Fantástico, que comparou realidades distintas entre China e Estados Unidos. O levantamento mostra como o país asiático conseguiu estruturar um sistema capaz de garantir comida acessível e fresca para mais de 1,4 bilhão de pessoas, enquanto os norte-americanos enfrentam aumento nos preços, dificuldade de acesso a alimentos naturais e maior consumo de produtos industrializados.

📸 Imagem: Angela Roma / Pexels (imagem gratuita)

O cenário atual da China é resultado de décadas de mudanças. Após enfrentar uma das maiores crises alimentares da história entre o fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, o país passou a tratar a produção de alimentos como prioridade estratégica. A partir das reformas iniciadas no fim dos anos 1970, o governo incentivou a produção agrícola, ampliou a autonomia dos produtores e investiu em planejamento de longo prazo. Hoje, pela primeira vez, o país consegue manter estabilidade no abastecimento alimentar de toda a sua população.

Nas grandes cidades, como Xangai, a produção de alimentos foi integrada ao espaço urbano. Parte significativa da área da cidade é destinada à agricultura, com o uso de tecnologia avançada. Estufas modernas, monitoradas por sensores e auxiliadas por drones, permitem a produção de hortaliças e frutas próximas aos centros de consumo. Esse modelo reduz a distância entre produção e consumo, o que contribui para manter os preços mais baixos e os alimentos mais frescos.

Apesar da forte presença do Estado, o controle de preços não ocorre de forma direta. O governo atua por meio de estoques reguladores, comprando ou liberando produtos conforme a variação dos valores no mercado. Esse mecanismo ajuda a equilibrar a oferta e evitar grandes oscilações. Além disso, as margens de lucro no setor atacadista são menores do que em países como os Estados Unidos, o que também influencia no custo final para o consumidor.

Outro ponto destacado é o hábito alimentar. Na China, o consumo de alimentos frescos é elevado, e refeições completas podem ser encontradas a preços acessíveis. Já nos Estados Unidos, milhões de pessoas vivem em regiões com pouco acesso a alimentos naturais, conhecidas como desertos alimentares. Nesses locais, a população depende mais de produtos ultraprocessados, o que tem impacto direto na saúde, com aumento de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares.

A questão do preço dos alimentos também ganhou peso no debate político norte-americano, influenciando discussões sobre custo de vida e propostas de políticas públicas. Em algumas cidades, surgem iniciativas para ampliar o acesso a alimentos mais baratos, incluindo a criação de mercados subsidiados.

No comércio internacional, a política chinesa também influencia o mercado. Produtos importados costumam ter preços elevados devido a taxas e impostos, o que limita o consumo. Por outro lado, essa dinâmica abriu espaço para países exportadores como o Brasil, especialmente na venda de commodities agrícolas, como a soja, impulsionada pela alta demanda chinesa.

Crédito: G1 / Fantástico
Adaptação: Rádio Centro Cajazeiras